Herbert de perto

Nesta semana assisti a “Herbert de perto” – graçadeus sozinha, que assim eu pude gargalhar e chorar à vontade, sobretudo chorar. Não é um filme triste, mas tocante. Tanto pela tragédia que Herbert viveu quanto pelo amor que sedimentou  sua recuperação: a dedicação da família e dos amigos  – em especial a relação dele com o irmão Hermano – é  comovente.

Trata-se de um documentário bem feito e sem grandes revelações. Mas para mim e para alguns da minha geração (alô, André!) acaba sendo também documento da nossa própria vida, nós que fomos crescendo e envelhecendo junto e ao som dos Paralamas do Sucesso (menos o Barone, que esse não envelhece,  parece ter a mesma cara até hoje!). Eu me acabei de dançar com “Óculos” e me achava transgressora aos 14 anos cantando “qual é seu guarda/que papo careta!”.  De lá pra cá, várias músicas estão relacionadas com uma fase, evento ou a determinadas pessoas na minha vida. Lembro exatamente de onde estava quando soube do acidente com o Herbert, da angústia ao acompanhar as manchetes diárias, da imagem de São Judas Tadeu enviada pelo Flamengo para ajudar um de seus torcedores mais fiéis. Então foi inevitável essa simbiose entre a trajetória dele(s) e a minha; foi como ver um pouco da própria vida na tela e rever momentos marcantes da vida de alguém a quem quero muito bem – a despeito de nunca tê-lo encontrado, e que provavelmente nunca encontrarei.

Helê

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