In between

Estive numa festa, já faz uns anos, em que senti assim, in between. Era aniversário de uma pessoa muito querida que fazia 25 anos; então na festa tinha a galera dela, nesta faixa de idade, e os amigos da mãe dela, ali entre os cinquenta ou mais. De modo que eu fiquei in between – mais enturmada com a garotada, confesso.

No meio do papo com um surfista eu disse que antes de envelhecer queria aprender a surfar. Daí o interlocutor respondeu: “E eu quero fazer vôo livre antes dos 30!” Então me dei conta que, pra ele, eu já tinha envelhecido. Mas o mesmo cidadão me acudiu quando disse que na vida é preciso plantar uma árvore, ter um filho e publicar algo na internet. “Ué, mas não era escrever um livro?”, perguntei curiosa e já remoçada. Ao que ele respondeu: “Não, o que importa hoje é comunicar, e o mais rápido possível”.  Fingindo modéstia disse que tinha um blogue, e ele ratificou: “Então você está totalmente up to date!”.

Compreendi afinal que envelhecer é caminho sinuoso, nada linear ou previsível: a gente vira uma curva de repente se sente mais moderna e jovem do que duas ladeiras atrás; sai de um túnel e alguns anos se passaram. Interessante, emocionante, surpreendente.  Sigamos, pois.

most beautiful highway

Helê,

aproveitando um rascunho de 2 ou 3 anos atrás, que precisava mesmo desse tempo pra amadurecer e virar post.

Sacanagem

Ah, as palavras. Algumas são o que são – ou são para o que nascem, como diz o maravilhoso título daquele filme. ‘Saliência’, por exemplo. Precisa dizer mais? Não, já se sabe do que se trata. Esse era um dos sinônimos pra sexo na minha casa quando eu era menina; suspeitava que era algo vedado a nós, crianças, mas que era bom,  divertido, e transgressor. E não estava de todo errada, não é mesmo?

*

Sexo, saliência, sacanagem, safadeza: por que tanto ‘s’, meu deus? Será a sinuidade da letra, o som do fonema, ou só coincidência?

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E ‘lúbrica’? Outra palavra que se explica por si. Ou, dizendo mais adequadamente, se desmancha por si só, porque só de ouvi-la eu deslizo. Aliás, pensando bem, tem outro grupo de palavras sacanas com ‘l’: luxúria, lascívia, libertino… Será novamente o fonema, o movimento da língua nos dentes… ou só eu delirando mesmo?

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Falando nisso, tem a cuíca. Eu gosto do som, acho que dá um tempero saboroso ao samba, mas não posso prestar muita atenção. Começa a me dar certa aflição. Você já percebeu? Tem coisa mais safada e sugestiva que o som da cuíca? Aí um amigo que toca se pôs a me explicar a dinâmica da coisa, como se pega o couro, de que modo se tira o grave e o agudo… Nossa, piorou muito, quanto mais ele falava, mais eu pensava em sacanagem.

Helê

Desperdício

Não tem umas nigths que são assim, gente?

Helê

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