Somos todos uns carentes, não?

A frase me ocorreu ao pensar no jornalista que ficou feliz da vida quando a amiga comentou um texto escrito por ele. “Então você lê?!”, ele perguntou surpreso. “Mas é claro que eu leio, você manda sempre, eu adoro o que você escreve, a maneira, a sua perspectiva…”  E o jornalista ia se alegrando cada vez mais ao se saber lido e admirado. Porque este é nosso ofício, pra isso somos treinados e cobrados, mas na rotina do trabalho há de haver espaço para tanta coisa – apurar, redigir, editar, ilustrar –  que uma parte do processo,  ser lido e comentado, acaba ocupado o menor espaço, ou pelo menos é com o qual temos menos contato. Talvez não devesse ser assim, dado que trata-se da nossa finalidade primordial. E pode não ser o que dá mais prazer – eu, particularmente, amo pesquisar – mas certamente reconhecimento e retorno gratificam muito. Concordo que um trabalho bem feito é a nossa maior recompensa, mas como fica melhor quando alguém repara nele, não? Então tanto faz um jornalista prestigiado, autor de livros, que escreve para o jornalão,  ou uma blogueira que se ressente com poucos comentários. Porque, afinal, somos todos uns carentes.

Dedicado ao Michael Kepp, que quando eu leio gosto muitíssimo.

Helê

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