Chegando junto (ou: “Come together”)

Ensaio geral, último antes da apresentação de fim de ano do balé. Mais de 40 alunas, mães, professoras, todas sob o stress decembrino. Na hora de “Come together”  a gravação falha. Tensão.  2, 3 tentativas e nada. Frustração. “Tem outro?” “Não, só trouxe esse”. Dou uma olhadinha no ipod, me certifico que tenho a versão original e ofereço à coreógrafa, discretamente: “Se adiantar eu tenho aqui …” Ela agradece, aliviada, diz a todos que eu salvei a pátria; algumas alunas elogiam, uma ou outra mãe olha com indisfarçável despeito. Minha filha fica orgulhosa, percebo.

Não pude evitar pensar que, no mercado tradicional materno meu prestígio teria aumentado se, em caso de uma emergência, eu tirasse agulha e linha da bolsa e consertasse um figurino desfeito na última hora. Hoje fui tida como uma mãe preparada por causa de um aparelho eletrônico –  meu companheiro fiel, meu radinho de pilha modelo século 21.

Mas de nada adiantaria um iphone conversível sem os rapazes de Liverpool  lá dentro, né? Eu gostei mesmo foi de resolver essa situação específica: alguém precisava de música – Beatles ! – e eu tinha para dar. Foi como dar água a quem tem sede.
(Pelo menos a Ana Paula eu sei que vai se orgulhar de mim! 😉 )
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Bem, considerando que eu estou costurando lantejoulas no figurino da apresentação da escola às 11 e meia da noite, devo conseguir também uns pontinhos nos critérios tracionais de qualidade materna, não?

Helê

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