Curiosidade

Tem uma samba antigo do Monarco (em parceria com Walter Rosa) que eu adoro, chama-se Tudo, menos amor. Acho uma delícia, e sua história me intriga desde o título – você há de concordar que ‘tudo menos amor’ suscita uma interrogação imediata. Como assim? Pois é o que diz o autor: ele dará carinho se houver necessidade, e vai até rezar pela felicidade da fulana, mas dar a ela seu amor, jamais. Então, quando você pensa que ele vai desenrolar a história, numa daquelas crônicas tão comuns no samba, ele despista, com evasivas: “coisas da vida, é mesmo assim”. Minha curiosidade só faz crescer alguns versos mais tarde, quando esse alguém, cuja vasta generosidade só exclui o amor, afirma que “nesse romance existem lances sensacionais”. Quais, meu deus?! Se ele não ama a mulher, não seria o caso de se afastar, simplesmente? Chega a ser cruel ficar negando amor repetidamente – ainda que ofereça tudo mais, talvez como compensação. Por fim, o danado ameaça novamente contar o babado completo ao falar em amor verdadeiro e naqueles ilusórios, e cutuca a curiosidade do ouvinte falando em uma “história de sinais sensíveis e reais”… apenas para, novamente,  dizer nananinanão, meu amor jamais.

Qualquer hora dessas eu esbarro no Monarco numa das muitas rodas aqui do Rio e se  o nível de sangue no meu álcool estiver suficientemente baixo, ele há de me contar essa história direitinho!

Helê

4 Respostas

  1. Helê, querida… ele está sem namorada, rsrs.
    Mas juro mesmo… rs.. nenhum interesse suspeito nesse texto. Aliás, carnaval estarei aí novamente e dessa vez vou ficar a semana toda, de 13 a 20. vamos ver se nos encontramos… Claro, modelo carioca, nada de combinar.

    Bjs.

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  2. me lembre de consultar as minhas fontes, pode ser que meu tio saiba…

    Hum, quer dizer que Danielle também tem suas ligações no mundo do samba, veja você! Pode deixar que eu cobrarei, Dani.
    beijo!
    H.

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  3. de fato, helena, sao comuns as crônicas no samba, como neste do lupicinio rodrigues, CADEIRA VAZIA, com mesmo mote de negar amor, explicitadíssimo na última estrofe: ” nao te darei carinho nem afeto, para te abrigar podes ocupar meu teto, pra te alimentar podes comer do meu pão.” beijos

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  4. gente, eu amo esse samba, amo. meu pai conhece sambas antigos como ninguém e a gente escuta desde sempre. tanto que até meu filho gosta. quando teve show do monarco aqui na roça [nichteroy] fomos todos em caravana, a família toda, hahahaha. realmente a letra é intrigante. se você algum dia descobrir o mistério, não esqueça de dividir com a gente. bjs!!

    Podexá, prometo que eu conto, se descobrir :-)
    H.

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