O fim do ponto G

Então quer dizer que agora não tem mais? Pôxa!… Não que eu tivesse encontrado o caminho – mas a graça estava exatamente em procurar, né não?

Helê

Era um Vez

Como aprendemos com a Mani, que por sua vez bebeu na fonte original do psicanalista Bruno Bettelheim, os contos de fadas falam “de todos os níveis da personalidade humana, comunicando de uma maneira que atinge a mente ingênua da criança tanto quanto a do adulto sofisticado.” Ou seja, através das famosas histórias da Carochinha, tratamos de sentimentos comuns a todos nós, tais como inveja, medo, raiva, medo da morte – e aprendemos a lidar com problemas existenciais de uma forma simples, “deixando questões complicadíssimas ao alcance das crianças”.

Engraçado que eu não tinha ainda lido o livro do Bettelheim e já implicava com as versões politicamente corretas de canções infantis tipo ‘não-atire-o-pau-no-gato-não-devemos-maltratar-os-animais’. Não que eu seja a favor de que se atirem paus em gatos nem dos maus tratos aos animais, é claro que não. Mas acho que intuitivamente identificava nesse revisionismo um processo que no fundo desenriquece (opa, acho que inventei uma palavra!) o imaginário infantil. A sequência inevitável desse caminho seria uma esterilização dos contos de fadas – já pensaram uma Chapeuzinho Vermelho que chama a Sociedade Protetora dos Animais para cuidar do Lobo Mau (ou seria o Lobo Psicologicamente Desajustado)? Ou uma boadrasta da Cinderela que cuidasse muito bem da filha do marido com a primeira esposa? E a resolução de conflitos, onde fica?

Porque a gente aprende, quando se aprofunda um bocadinho no tema, que a madrasta malvada nada mais é que uma forma que encontramos para lidar com a raiva que temos da nossa própria mãe, sem precisar direcionar a ela nosso impulso destrutivo. É mais saudável odiar a madrasta da Cinderela do que nos voltarmos contra nossa figura materna.

Portanto, que fique bem claro que eu sou super a favor de que se preservem os contos de fadas em suas versões originais, inclusive contando-os para crianças pequenas com as perversidades neles incluídas (entre os meus contos de fadas favoritos destaco Rapunzel, Moura Torta e outros bem pouco inocentes).

Isto posto, não deixo de me divertir com os crossovers que vêm sendo feitos com os personagens de contos de fadas, ou a pura e simples atualização daquele universo.

Encantada, a princesa que foi jogada na Nova York do século XXI, sonha com um sapatinho Manolo Blahnik?

A Ju Sampaio compartilhou no seu indispensável Reader uma notícia da BBC sobre o lançamento, na Espanha, de um livro que traz as princesas dos contos de fadas para uma realidade bem mais próxima da nossa – com direito a Prozac e vegetarianismo, entre outras coisas. Parece quase tão interessante quanto Fábulas, a saga de quadrinhos adultos que mostra personagens clássicos vivendo em uma comunidade clandestina na Nova York contemporânea: o Príncipe Encantado é o ex de todas as princesas (e obviamente um cafajeste do pior tipo); Branca de Neve é a chefona durona; e o Lobo, após tomar forma humana, fica bem mais, digamos… fazível. Nham, nham para ele. 😉

 -Monix-

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