Sem querer

Andei dizendo por aí que eu tô virando cínica – mas constato, desapontada, que não. Pelo menos não ainda. Resta em mim romantismo suficiente  para evocar o Chico e suas canções de amor em contextos nem um pouco buarqueanos. Foram duas ocasiões recentes, ambas cinematográficas. Spoilers ahead.

Em o “Príncipe da Pérsia”, no finzinho, após mil e uma aventuras, o dito cujo, que se apaixonara pela princesa e vice-versa, faz o tempo voltar até o momento em que ambos ainda não se conheciam. Ele mantém a lembrança e volta enamorado. Ela não exatamente, mas sente-se estranhamente atraída pelo recém conhecido. Imediatamente a Rádio Cabeça começou a tocar “Valsa Brasileira”, de Chico e Edu”:

Vivia a te buscar
Porque pensando em ti
Corria contra o tempo
Eu descartava os dias
Em que não te vi
Como de um filme
A ação que não valeu
Rodava as horas pra trás
Roubava um pouquinho
E ajeitava o meu caminho
Pra encostar no teu

Subia na montanha
Não como anda um corpo
Mas um sentimento
Eu surpreendia o sol
Antes do sol raiar
Saltava as noites
Sem me refazer
E pela porta de trás
Da casa vazia
Eu ingressaria
E te veria
Confusa por me ver
Chegando assim
Mil dias antes de te conhecer

Depois, vendo “Sex & the City 2”, prendi a respiração quando Carrie encontra Aidan, o mais gostoso e gente boa dos seus ex-namorados, numa feira em plena Abu Dabi. Graças a essa familiaridade que estabelecemos com uma série e suas personagens – afinal são anos acompanhando aquelas vidas – fiquei realmente tocada pelo inusitado do encontro. E na RC, começou a tocar, claro, “Anos Dourados” – porque é sempre desconcertante rever um grande amor.

Helê

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