Despicable me

Recomendo “Meu malvado favoritodicumforça. Bem feito, inteligente, com tiradas bacanas para os adultos que não atrapalham os pequenos. E engraçadíssimo, dei muitas e altas gargalhadas – em companhia da Primeira Leitora, Ana Paula Urbanamente Medeiros. O filme contraria certa tendência dos atuais infantis, que misturam humor com uma boa dose de emoção, como uma espécie de pedágio a ser pago antes ou depois de se largar rindo desbragadamente (sei de gente que desidratou nos recentes e excelentes ‘Up’ e ‘Toy Story 3’). Não que eu não tenha vertido uma lagriminha básica em “Meu malvado favorito” – porque, you know, “a pessoa é para o que nasce”. Mas é quase 100% de diversão e graça.

Helê

Em meses de desemprego…

. fui entrevistada para trabalhar numa fábrica de armas não-letais,

. visitei um Criad e vi mudanças no Degase;

. participei de uma seleção em que oito das dez candidatas usavam preto & branco (fora eu e outra ousada),

. aprendi a preencher um recibo de RPA;

. descobri a diferença entre marinha mercante e militar e também o que ‘prático’ é uma profissão;

. fiz um frila para a melhor colônia de férias do Rio, o Gato Mia;

. escrevi sobre os perigos da toalha molhada, como escolher seu criado mudo, as melhores cortinas, campeonato de videogame, conservando seu edredom;

. levei meses para receber por um serviço;

. dei uma palestra sobre raça & gênero, com powerpoint e tudo, e o roteiro foi feito a partir de posts e uma pleilist publicados aqui;

. recebi  a big help from my friends, as usual,

. e também a solidariedade de gente que nunca me viu, como a generosa Daniela Arrais;

. entre essas pessoas está a Maria Amélia, que me ensinou a cobrar pelo meu trabalho tendo em mente esta pérola : “Não me peça de graça a única coisa que posso vender”.

Foram meses de incerteza e temor, cujos aprendizados e cicatrizes ainda se fazem sentir. Talvez a gente nunca se recupere totalmente do rombo na autoestima, e persista uma vaga insegurança, uma permanente intranquilidade – que a gente tem que domar e transformar em inquietação criativa e propulsora, evitando a paranoia. Mais uma tarefa complexa nessa brincadeira sem volta de ser gente grande.

Helê

PS: Este post não deve ser lido separadamente – o comentário do Chris complementa e enriquece a conversa – porque vocês sabem, conversar com os leitores é a nossa pretensão mor ;-)

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