Em meses de desemprego…

. fui entrevistada para trabalhar numa fábrica de armas não-letais,

. visitei um Criad e vi mudanças no Degase;

. participei de uma seleção em que oito das dez candidatas usavam preto & branco (fora eu e outra ousada),

. aprendi a preencher um recibo de RPA;

. descobri a diferença entre marinha mercante e militar e também o que ‘prático’ é uma profissão;

. fiz um frila para a melhor colônia de férias do Rio, o Gato Mia;

. escrevi sobre os perigos da toalha molhada, como escolher seu criado mudo, as melhores cortinas, campeonato de videogame, conservando seu edredom;

. levei meses para receber por um serviço;

. dei uma palestra sobre raça & gênero, com powerpoint e tudo, e o roteiro foi feito a partir de posts e uma pleilist publicados aqui;

. recebi  a big help from my friends, as usual,

. e também a solidariedade de gente que nunca me viu, como a generosa Daniela Arrais;

. entre essas pessoas está a Maria Amélia, que me ensinou a cobrar pelo meu trabalho tendo em mente esta pérola : “Não me peça de graça a única coisa que posso vender”.

Foram meses de incerteza e temor, cujos aprendizados e cicatrizes ainda se fazem sentir. Talvez a gente nunca se recupere totalmente do rombo na autoestima, e persista uma vaga insegurança, uma permanente intranquilidade – que a gente tem que domar e transformar em inquietação criativa e propulsora, evitando a paranoia. Mais uma tarefa complexa nessa brincadeira sem volta de ser gente grande.

Helê

PS: Este post não deve ser lido separadamente – o comentário do Chris complementa e enriquece a conversa – porque vocês sabem, conversar com os leitores é a nossa pretensão mor 😉

11 Respostas

  1. Pô, Helê, obrigado. E disponha. Um comentário sincero – quase um desabafo – era o mínimo com que eu poderia contribuir depois do presente de aniversário que recebi do blog….

    🙂
    Beijos,
    H.

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  2. Só há uma experiência mais cruel e desgastante do que o desemprego: a procura do emprego. O grau do sofrimento varia da humilhação à desesperança, passando pela falta de confiança. As entrevistas inúteis, os olhares de desprezo dos entrevistadores, a patética “apresentação pessoal” dos concorrentes, os ridiculamente superestimados currículos, tudo isto faz parte de uma lamentável pantomima. Na década de 90, passei mais de dois anos à procura de emprego até desistir de vez. Decidi que o emprego é que iria me encontrar. Encontramo-nos, finalmente, num show de jazz no Parque do Arpoador, por meio do convite de uma amiga que estava reformulando sua assessoria jornalística em um sindicato. De lá para cá, alguns frilas, um ou dois empregos sem carteira, uma boa experiência na área de marketing do Banco do Brasil e, finalmente, a aprovação num concurso público para a minha área. Meu conselho aos que passam por esta provação: nunca desistam de si mesmos, nem se considerem inferiores ou incapazes. Incompetente é o mercado de trabalho, não vocês.

    Clap, clap, clap, Christian. Sensacional e mesmo emocionante seu comentário. Vou avisar aos leitores que o post não pode ser lido separadamente 😉
    Beijo,
    Helê

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  3. Essa intraquilidade é o que me consome. Né mole virar gente grande não, viu?
    Beijo

    Ô… nem me fale, viu? E às vezes a sensação que eu tenho é que nunca fica mais fácil.
    Mas deve ser só impressão, né? It has to be.
    Bom, pelo menos a gente tem colegas pra brincar, como disse o Renato aí em cima 😉
    H.

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  4. Nem sabia que vc tinha andado pela “minha” área… Se eu te disser quanto ganha um prático (se é q vc não sabe), afe!

    Sei que alguma coisa que torna a vida deles MUITO prática. Pq é aquilo, dinheiro não compra felicidade mas manda buscar, né?
    🙂
    Bj!

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  5. Oi Helena. Legal o post e interessante as várias experiências, o importante é que vives uma outra fase, não é? Como dizia o “filósofo”: faz parte ….
    Grande abraço,
    Tânia

    Oi, querida, que bom te ver por aqui!
    Volte sempre!
    H.

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  6. Esse texto foi para mim. 😉
    Estava precisando dele, obrigada.
    Muitas saudades.
    Beijos,
    Tortinha

    Ô, amore, que bom ver vc aqui, que bom que vc gostou do texto.
    Precisamos nos encontrar, lindona, só te “vejo” no face e no tuites 🙂
    Beijoca!
    Helê

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  7. Um dia esse Gato ainda vai ser grande o suficiente pra ter uma profissional maravilhosa como vc trabalhando só pra gente. Fazendo feicebuqui, tuitis, site, mailing list, assessoria de imprensa, e correndo comigo na Lagoa nos intervalos!
    Vc é uma parceira maravilhosa nessa brincadeira de gente grade, querida. bjs!

    Eu exclusiva do Gato? Que looosho!
    Você também, rânei, é das que fazem a gente descer pro play — mesmo quando a vontade é ficar encolhida debaixo da coberta.
    Love u, vc sabe.
    Helê, com o Cabôco Postadô e o Respondedô tb!

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  8. No meu caso, eu voltei ao MOBRAL.rsrsr….Com muita esperança, jogo de cintura e bom humor que é fundamental.
    Saudações!

    Sem o que todo o resto – tipo assim, a vida – fica intolerável, né mesmo?!
    Beijo grande, André!
    Helê

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  9. É, não pra pedir ‘altos’ (é assim mesmo?) nessa brincadeira de gente grande. Mas dá pra segurar na mão do coleguinha (que, de quebra, ainda te puxa pra cima). E isso é muito bom.

    Ô se é – colega 😉
    Beijo, querido.
    H.

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  10. E vc tá se saindo tão bem nessa brincadeira, que eu só posso ter orgulho de ser sua amiga. Quanto ao “rombo na auto-estima”, você recupera sim, com folga. Acredite.

    Gente que acredita em vc – this kind of help.
    Muito obrigada, Ana, de coração.
    Beijo,
    Helê

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