Gelo e Fogo

Um passarinho me contou que a Editora Leya está publicando no Brasil As Crônicas de Gelo e Fogo, a começar pelo primeiro livro: a Guerra dos Tronos.

É um lançamento que não posso deixar de comentar  (e recomendar), porque conheço a série – gosto muito – e tenho um carinho especial por ela. Desde que o namorado é namorado* – e até antes disso -, ouço falar da série de high fantasy que é a melhor de todas, insuperável, etc etc. Eu esperando ansiosamente o lançamento do próximo Harry Potter e ele rindo de mim. Dizia que pior que esperar J. K. Rowling revelar como o menino-bruxo derrotaria Lord Voldemort era não saber quando – e se – George R. R. Martin terminará a saga de Westeros.

Vencida pela curiosidade, li o primeiro livro da edição portuguesa, que desmembrou cada volume do original americano em dois. A Guerra dos Tronos, que está sendo lançado no Brasil com o mesmo título de Portugal, é um romance de fantasia completamente diferente de tudo que já li. O clima é todo medieval, mas não há “truques” mágicos, e sim uma realidade alterada, como se a história se passasse em uma dimensão paralela à nossa, com um andamento do tempo ligeiramente alterado e criaturas um pouco diferentes. De resto, o continente de Westeros é habitado por humanos tão humanos quanto nós, com dramas, conflitos, esperanças, vaidades iguais às nossas. O destino não poupa ninguém: nem crianças, nem heróis, nem donzelas. O leitor não deve contar com um final feliz para os mocinhos, nem com a punição dos bandidos. Até porque, no universo de Martin, nada é branco e preto; há imensas zonas com vários matizes de cinza.

Os personagens são complexos e verossímeis. Há muitas mulheres importantes para a trama, com participações expressivas no desenrolar da história – coisa que já é difícil na literatura em geral, e pior ainda quando se trata do gênero de fantasia.

Mas o grande trunfo das Crônicas, o que as torna únicas, é a técnica narrativa. Cada capítulo é contado do ponto de vista de um personagem, embora todos sejam narrados em terceira pessoa. Desta forma, nunca sabemos quem é o herói e quem é o vilão. Um fato apresentado pelo ponto de vista de um personagem, quando visto por outro, pode assumir significados diferentes. Totalmente mind blowing.

-Monix-

* E, de certa forma, este post é também uma comemoração.
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