Se acaso

Estava num samba com um grupo de amigos quando começou a tocar uma música que eu acho divertidíssima, “Se acaso você chegasse”, do Lupicínio Rodrigues (e Felisberto Marins). Acho graça da maneira nada sutil de sondar a reação do amigo cuja mulher agora está com ele. O que começa como um hipótese (se acaso você chegasse … e encontrasse …), rapidamente vira confissão (eu falo porque essa dona já mora no meu barraco). Há um machismo evidente na história: a mulher é “essa dona”, que de dia passa roupa e de noite beija boca – mais parece uma diarista com benefícios (pra ele, claro). E ela é a figura menos importante na história: trata-se de caso real ocorrido entre Lupicínio e o amigo Heitor de Barros, mas não me pergunte o nome da Dona –  perdeu-se no tempo.  A maladragem maior é que, de todos os envolvidos, só autor fica bem na foto: a mulher é “aquela que abandonou” e o amigo tem a lealdade questionada (“Será que tinha coragem de trocar nossa amizade?”). O danado do Lupicínio, que pegou primeiro e perguntou  depois, manteve a mulher e o amigo. E seguiu vivendo de amor.

Pideite: atendendo a pedidos (tá foi um só, mas é o suficiente), segue a letra completa:

Se Acaso Você Chegasse

Se acaso você chegasse
No meu chateau e encontrasse
Aquela mulher que você gostou
Será que tinha coragem
De trocar nossa amizade
Por ela que já lhe abandonou?

Eu falo porque essa dona
Já mora no meu barraco
À beira de um regato
E de um bosque em flor
De dia me lava a roupa
De noite me beija a boca
E assim nós vamos vivendo de amor

No YouTube tem uma boa gravação da Simone, entre outras.

Helê, servindo melhor para sempre servir 😉


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