Obama’s pictures

Helê

Da série “Cantadas que eu invento …

… mas não tenho coragem de usar”:

Você é lindo assim mesmo ou é essa luz que te favorece?

Que tal? Hein? Heim?

Será que eu ganharia ao menos um sorriso? Já tava ótimo porque esse é o início de tudo, o ground zero de toda cantada. Ou o disparo que autoriza o início da corrida. O desarme, a guarda abaixada, a condição que tira você do impedimento. O …

Isso mesmo, eu emudeço em metáforas enquanto observo o cidadão desaparecer  no frenesi do samba. O Alex Castro tem razão, só haverá completa igualdade entre homens e mulheres quando elas não se sentirem humilhadas por tomarem um toco. E eu, também nesse particular, sou ainda uma mulher do século passado – se não uma vitoriana.

Joey e sua cantada infalível

Helê

Bom finde

Helê

PS: Este é nosso 1800º post – rumo aos 2000!


Black Dilma

A principal razão que, no meu ponto de vista, justifica o voto em Dilma não é uma única razão. Na verdade, são 53 milhões de razões: entre 2003 e 2008, foram 21 milhões de brasileiros que deixaram a miséria e outros 32 milhões que ascenderam à classe média. Os números dos que chegaram à classe média correspondem mais ou menos ao total de torcedores do Flamengo, e os que saíram da pobreza correspondem aproximadamente à torcida do Corinthians. É isso mesmo: o número de brasileiros que melhoraram de vida na Era Lula é um pouco menor que a soma das torcidas do Flamengo e do Corinthians. A pobreza extrema no país foi reduzida à metade nos anos Lula. Esse salto não se deveu apenas ao bom momento econômico. Isso é fruto de medidas específicas do Governo Federal, tais como o Bolsa Família e o Bolsa Escola.

Você chama esses programas de assistencialistas, de demagogia paternalista. Na sua concepção liberal de “Estado mínimo”, esses programas não têm justificativa. Mas os países socialmente mais justos foram aqueles em que o Estado assumiu um papel ativo na promoção do bem estar social. Você condena os programas brasileiros, mas, quando vem à Europa, se embasbaca dizendo que a Suécia ou a Dinamarca é que são países “de verdade”, pois se importam com seus cidadãos. Os programas sociais brasileiros são irrisórios se comparados aos de países da Europa ocidental. Por que você etiqueta os programas assistencialistas suecos de “justos” e os brasileiros de “demagógicos”?

Para você, que não votou na Dilma, de Leonardo de Souza

Este é apenas um trecho do bem argumentado post publicado no Amálgama, que realmente vale a pena ser lido para aqueles a quem se direciona. Para mim, que já tenho meu voto consolidado, serviu sobretudo para acompanhar essa ilustração bárbara que eu achei no Blog da Global (via @semiramis). A mote é ‘Dilma é muitos!”

Os mineiros do Chile

Nem 33 seriam necessários: achei que lá pelo nono mineiro resgatado a atração já teria entrado num mode boring, do qual sairíamos, talvez, no último, por representar o fim do drama, blábláblaá. Que nada. Ainda bem que tinha que tomar café, banho, trabalhar, isso de viver, porque eu chorei em praticamente todos os resgates que vi. A despeito da pieguice das transmissões, dos discursos políticos e religiosos, eu me comovi a cada reencontro entre gente que se ama e contornou a perspectiva de não se ver nunca mais. Apenas isso. Suficiente e comovente, over and over.

Osman Araya reencontra a esposa, Angelica (BigPictures)

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Sim, virou um grande circo – inclusive com lona à beça. Mídia do mundo inteiro, que ora santificava a harmonia entre os mineiros, ora especulava sobre desavenças e deserções; que destacava o sofrimento de parentes e as condições de trabalho dos mineiros, ora voltava-se para supostas disputas amorosas – o Telegraph afirmou que pelo menos cinco mulheres souberam da existência de amantes por causa do acontecido. Há também promessas de emprego, viagens e prêmios oferecidos; difícil divisar gestos sinceros daqueles que querem pegar carona na cápsula dos mineiros em busca de uns trocados de fama, a atual moeda corrente, aceita em todos os países. Mas para mim,  basta o olhar do  filho de  um daqueles trabalhadores e todo o resto sai do foco, vira um murmúrio quase imperceptível.

Bairon, 7 anos, filho de Florencio Avalos, primeiro mineiro resgatado. (BigPictures)

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O resgate dos mineiros chilenos foi também um evento de interesse planetário, como o 11 de setembro – só que com final feliz, o que é muito  raro. Há uma energia especial nessas ocasiões em que todo o mundo vibra pela mesma coisa, que passa pela consciência de participar da História, assim com maiúscula. E um pouco pela lembrança de que, afinal, pertencemos todos a um mesmo grupo, a humanidade. Cito novamente o jornal inglês Telegraph, o que noticiou os litígios amorosos, que resumiu tudo numa legenda de hoje: “World shares Chile’s jubilation as the last of the 33 miners is freed” (o mundo compartilha o júblio do Chile enquanto o últimos dos 33 mineiros é libertado). Ainda que se desconte algum exagero, quando foi mesmo a última vez que o mundo compartilhou alguma coisa, ainda mais júbilo?

(BigPictures)

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Durante o dia, quando desgrudava da transmissão ao vivo eu continuava ligada via tuíter, que atualmente é a ferramenta campeã em duas modalidades: mais rápida na disseminação de informação e mais potente veículo de socialização de bobice por minuto. Na hora da retirada do mineiro disputado pela esposa e pela namorada, um tuíte avisou: “Gente, atenção que agora vai sair o do bafão!” Para rolar de rir mesmo – mais ainda agora, que tudo acabou bem, portanto sem culpa nenhuma – basta acessar @mineirochileno. Engraçadíssimo, sobretudo para quem já tem domínio do ambiente tuíter: é humor construído a partir dessa linguagem e de suas sintaxes.

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Muito doido um resgate que levou 69 dias para ser elaborado e executado e então você vê aquela rodinha puxando uma corda. Parece tão simples, não?

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Tá, bobagem, complexo de inferioridade e tal. Mas senti orgulho latino-americano pela operação cuidadosa e perfeita. Pra quem cresceu achando que todo herói era Mr. e que técnica, planejamento e eficiência eram reservas americanas, foi delicioso ouvir Chi-chi-chi, Le-le-le fora do estádio de  futebol.

*

Terminando com humor involuntário – que costuma ser dos melhores. Na manhã de quarta, da minha cozinha ouvi a vizinha explicando pacientemente para seu interlocutor:

– Eles são mineiros porque eles trabalham numa mina. Isso que tá passando aí é lá no Chile…

E eu fiquei me perguntando em que cápsula estava esse desinfeliz que até agora tava pensando que o negócio era pras banda de Belzonte, sô!

Helê

Querido Deus:

Querido Deus. Você é invisível mesmo ou é só um truque? (Lucy)

Querido Deus, talvez Caim e Abel não tivessem se matado se cada um tivesse seu quarto. Funciona com meu irmão. Larry (by Ana Paula)

Querido Deus, no tempo da bíblia eles falavam mesmo daquele jeito sofisticado? (Jennifer)
Querido Deus, você queria que a girafa fosse assim mesmo ou foi sem querer? (Norma)

Esses são apenas alguns dos deliciosos bilhetinhos escritos para o Todopoderoso por crianças. É o que deduzo, pois já encontrei as imagens em vários sites mas não consegui identificar a fonte original. Importa é que são absolutamente verossímeis: se não foram escritos por pequenos, poderiam ter sido, pois o estilo é próprio deles. A curiosidade, o destemor e a irreverência comuns a muitas crianças, esses seres cheios de graça.

Que tenhamos todos um feliz dia das crianças.

Helê

PS1: A Primeira-leitora, sempre atenta Ana Urbanamente Paula, indicou  – com a gentileza que lhe é peculiar – que seria adequado traduzir os bilhetes e o fez, com  seu favorito. Sugestão aceita com alegria e cumprida com limitações. Gracias, Ana!

Sobre as eleições

 

Política já foi um tema mais recorrente aqui no blogue, eu pude perceber quando fazia a migração dos posts do blogger para cá. Mas a titular da cadeira sempre foi a Monix –
que também responde pelas editorias de turismo, gastronomia e cinema. (Você deve estar se peguntando o que é que eu faço nessa josta. Bobice, first place, música e polaróides do meu umbigo sob variados ângulos. Se você pensou no Pinky e o Cérebro, acertou).

Acontece que La Otra tem andando muito absorvida por tarefas mis que lhe roubam tempo de blogar (cartas à redação protestando, please). De minha parte, não acho que possa acrescentar algo novo ao debate eleitoral, sobretudo quando leio coisas escritas pela Lola, Marjorie, Mary W.,  Kellen ou master Idelber. Na maioria das vezes, um tuíte do Alex diz mais do que este post inteiro.

Então, depois de dois parágrafos pedindo desculpas disfarçada e antecipadamente, eu posso então dizer que fiquei satisfeita com o resultado das eleições para o legislativo, quando abri o site do TRE na segunda-feira. (Preciso contar que ainda me espanto com a rapidez da apuração e por poder acessar a informação sem intermediário, não precisar ler o jornal, mas ir direto no site do tribunal. Leave 20th century takes time). Meus dois candidatos foram eleitos, Chico Alencar e Marcelo Freixo para a Alerj, e houve a festejada renovação no senado que aposentou uma meia dúzia que já deu, né? Vibrei com a eleição do Jean Willys, por achar importante que um homossexual assumido e militante tenha uma cadeira no parlamento. Quando soube que o PT havia conseguido maioria na Câmara eu realmente me surpreendi, porque eu sou do tempo que o PT tinha 8 deputados e expulsou três porque votaram contra o partido (um deles foi a Bete Mendes). Eu vivi pra ver o PT ter maioria na câmara dos deputados – e pra não ficar esfuziante com isso, quem diria. Mas fiquei com a sensação de que houve avanço e mudança, o que é bastante numa eleição. Prefiro olhar para os ganhos do que ficar debochando de palhaços sem graça alguma.

Quanto ao executivo…bom, no Rio ganhou o Cabral menos interessante, o filho, e eu nem tive que ter o desgosto de votar no PMDB. Ouvi de um colega de trabalho a melhor explicação: “O Rio é como aquela mulher que era casada com um cara que batia nela, bebia, não trabalhava e saia com outras. Aí ela se separa e casa com um que só bebe. E fica feliz da vida, afinal ele só bebe”. Melhor explicação para a vitória tranquila do governador.

Na esfera federal eu acreditava numa vitória no 1º turno, porque a tal onda verde me parecia artificial. Acontece que funcionou, e lá vamos nós, para quando a campanha fica mais difícil e truculenta. No sábado eu entrei no túnel do tempo, o youtube, e revi o vídeo da Regina Duarte falando que tinha medo do Lula. E vi o quão baixo os caras são capazes de jogar, querendo incutir medo na população, trabalhando no plano puramente emocional. Ao mesmo tempo, chega a ser engraçado ver que o governo Lula melhorou em todas as áreas que a dona Regina tinha medo: controle da inflação, estabilidade econômica, posição do país diante da comunidade estrangeira.

Na minha mui humilde opinião, é preciso muita hora nessa calma, não cair nas armadilhas e valorizar a posse de bola – afinal de contas, não tem cabimento, entregar o jogo no segundo tempo, né mesmo?

Helê

Nós votamos Dilma

Se é que isso não ficou claro antes.

Monix, aliás, já havia se posicionado  neste post aqui, ó.

Duas Fridas

Chocado

Foi assim que muita gente ficou ontem, ao ver  a camisa do Médici aí embaixo. E eu não sei se dá pra ler o que está escrito em cima e abaixo do retrato do ditador: “Eu era feliz e sabia”. Para não restar dúvidas sobre o que está sendo defendido.

Helê

Médici ou Gandhi?

Foto: Márcio José da Silva, disponível no site www.chicoalencar.com.br

Essa foto é incrível. Expressa perfeitamente um dos princípios mais caros da democracia, que é a convivência de contrários. E que contrários! O senhor da esquerda (na foto, apenas na foto!) é o deputado Jair Bolsonaro, de extremíssima direita. O da direita (apenas na foto, insisto!) é o deputado Chico Alencar, representante da esquerda democrática e libertária, considerado um dos melhroes parlamentares do país. Ambos são eleitos pelo Rio de Janeiro. Coincidiu de panfletarem no mesmo dia, no mesmo local – o calçadão de Copacabana –, usando camisas com personagens que, por motivos diferentes, marcaram seus nomes na História: um tornou-se símbolo do momento mais cruel da ditadura brasileira, redator daquela “página infeliz da nossa história” a que se refere (o grande) Chico Buarque, de tempos de medo e de tortura; outro é o símbolo mundial da resistência pacífica (e vitoriosa) a regimes antidemocráticos.

Tais como Eros e Tânatos, os princípios e ideias representados por estes personagens continuam muito vivos na política brasileira e mundial. E não nos enganemos: não são poucos os que vestem a velha camiseta com a estampa do Médici por baixo do uniforme de democratas…

Christian Morais

Mais um participação de um de nossos top leitores, o Chris.

Em tempo 1: Chico é meu candidato a deputado federal (PSOL 5050).

Em tempo 2: La Otra, quando viu a foto, espantou-se: “Tem alguém que usa uma camisa do MÉDICI???? Mesmo sendo o Bolsonaro, cara, é inacreditável.”

Poizé.

Helê

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