De mãe pra filha

Rio de Janeiro, 29 de setembro de 1992. Chegando no Amarelinho da Cinelândia para celebrar. Acabara de assistir à sessão que decidiu  pelo impeachment de Fernando Collor. Vimos no trabalho como se fosse jogo de copa do mundo. Eufórica, catei um orelhão e liguei pra minha mãe. Entre risos e lágrimas, com toda credulidade que se pode ter aos 23 anos, disse a ela: “Putaquepariu, mãe, seus netos vão nascer num país melhor!!!!”.

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Rio de Janeiro, 31 de outubro de 2010. Chegando no Da gema pra celebrar a eleição de Dilma Roussef, a primeira mulher a ocupar a presidência da  República, depois de dois mandatos do operário Lula. Toca o celular, e entre o barulho do bar e da ligação só entendo que é minha filha quem quer falar comigo. Corro para um lugar melhor e escuto a vozinha dela eufórica, do outro lado: “Mamãe?! A Dilma ganhoô, a Dilma ganhoô, Dilma ganhoô! !”

Helê

Enfim, nós

 

Duas Fridas

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