I Got My Hair

Estreou aqui no Rio a montagem da dupla broadwayana Moeller-Botelho para o musical Hair, que está sendo anunciada como a peça “que mudou o mundo”. (Na verdade, há controvérsias: eu já acho que o mundo mudou e isso possibilitou que fosse produzido este musical totalmente mainstream sobre a contracultura. But I digress*.)

Ao contrário do filme, que mostra a jornada de um garoto caipira e conservador em direção ao movimento hippie (com consequências trágicas), a peça fala de um hippie sendo lentamente cooptado pelo sistema (com consequências igualmente trágicas).

O filme é mais bem sucedido ao apresentar o contexto da época, através de uma trama mais bem amarrada, para quem não sabe do que eles estão falando.

Em compensação, a montagem teatral vai direto na veia. Ouvir em minha língua materna o verso inicial “Quando a lua dominar o céu…”, introduzindo a canção sobre a Era de Aquário, produziu um arrepio de emoção muito forte, inesquecível.

A peça é lisérgica, tem um clima super psicodélico. A produção optou por superar uma certa ingenuidade inevitável, trazida pelo distanciamento histórico, criando um vínculo bastante estreito entre elenco e público**. Funcionou. O espetáculo termina com uma grande happening que mistura os vovôs da plateia aos jovens do elenco. E é sensacional constatar que o pessoal de cabelos brancos provavelmente é (ou foi, em algum momento de sua juventude) bem menos careta que os cabeludos do palco.

Veja como foi a estreia de Hair

A cereja do bolo é o teatro Casa Grande, conhecido por seu histórico de resistência, quando ela era necessária – hoje inteiramente reformado.

-Monix-

* Essa foi pra você, sócia. Eu sei que você a-do-ra.
** Vale a pena comprar os ingressos mais caros e sentar perto do palco. Eu não fiz isso e me arrependi.
%d bloggers like this: