Uma noite com Yemanjá

Eu sou a carioca menos praiana que existe.

Até gosto de praia, mas não a ponto de frequentar.

Aí eu fui à Bahia em 2009 2008 e, em uma visita ao Terreiro de São Jorge, soube que sou filha de Oxossi e Yemanjá. E o espanto inicial foi substituído pela compreensão de que na verdade não é que eu não goste de praia: o que me incomoda é a praia cheia, o barulho dos vendedores de mate e picolé, a falta de espaço para andar na areia e para mergulhar no mar; enfim, meu desagrado é com os profanadores, com os “vendilhões no templo”. Depois que entendi isso, minha relação com a praia passou a fazer mais sentido.

Hoje pela primeira vez fiz um programa óbvio para a maioria dos cariocas mais descolados que eu, mas que para mim foi uma novidade incrível: aproveitei o finalzinho das férias e fui para a praia, com meu filho, o amiguinho e a mãe, às cinco e meia da tarde. Já chegamos com o sol mais fraco e as areias do Arpoador quase vazias. À medida que escurecia, fomos nos tornando os donos daquele pedacinho de praia.

E foi então que eu tive minha experiência mística. Mergulhei no mar à noite, pela primeira vez, e foi como uma epifania. Difícil foi me convencer de que já estava na hora de ir embora – saímos de lá depois das nove da noite, com as crianças cansadas e famintas.

Para completar a noite, despontou no céu de Copacabana a lua mais linda que se possa imaginar.

Só quando cheguei em casa, depois da pizza, quase à meia-noite, me dei conta de que passei o solstício de verão mergulhando no mar. Não sei bem o que isso significa, mas com certeza é sinal de boa coisa.

-Monix-

Não consegui descobrir a origem da imagem, se alguém souber quem é o autor fique à vontade para deixar um comentário que eu dou o crédito.
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