Pensando em natal, religião, rituais

…resgatei esse trecho daquele que é o meu livro sagrado, aquele que reli muitas vezes, mas jamais terminarei;  meu I Ching brasileiro, minha bíblia severina, meu alcorão agreste, minha Torá  sertaneja; rio do qual nunca saí, que me traga e sustenta, o “Grande sertão, veredas”:

Eu cá, não perco ocasião de religião. Aproveito de todas. Bebo água de todo rio… Uma só, para mim é pouca, talvez não me chegue. Rezo cristão, católico, embrenho a certo; e aceito as preces de compadre meu Quelemém, doutrina dele, de Cardéque. Mas, quando posso, vou no Mindubim, onde um Matias é crente, metodista: a gente se acusa de pecador, lê alto a Bíblia, e ora, cantando hinos belos deles. Tudo me quieta, me suspende. Qualquer sombrinha me refresca. Mas é só muito provisório.”

Guimarães Rosa

Helê

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