A posse

Imobilizada entre a dúvida sobre para onde ir e a preguiça de sair, acabei assistindo em casa à posse da presidenta Dilma Roussef. Mas não sozinha, porque tinha comigo a minha timeline querida, com quem compartilhei comentários e emoções. Como no momento em que a presidenta lembrou dos mortos pela ditadura militar:

Muitos da minha geração, que tombaram pelo caminho, não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista, e rendo-lhes minha homenagem.

Depois eu me dei conta de que não poderia ter melhor companhia para o evento, já que foi com a timelinda que vivi momentos importantes dessa eleição – parte dela estava, inclusive, em Brasília. Love you, galere!

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Chato foi aturar o Sir Ney esfregando no nosso nariz sua relevância política. Fiquei o tempo todo lembrando daquela cena do filme “A Rainha” em que a Dona Elizabeth recebe um Tony Blair ansioso e nervoso, e cruelmente o lembra que ele era apenas o 15º primeiro-ministro que ela empossava. Sarney é a nossa rainha Elizabeth. Tsc, tsc, tsc.  Vinguei-me um cadinho com essa cara de Coringa que ele apareceu quando deixou o Parlamento:

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Seria engraçado se não fosse obtuso a forma como os imbecis delegam para os outros a responsabilidade pelas próprias limitações. Foram vários os e as jornalistas que disseram que o fato de termos uma mulher presidenta muda o olhar, e então passamos a reparar em detalhes como a roupa, o penteado… Passamos quem, cara pálida? Como se essa não fosse uma escolha de quem produz a notícia ou a análise. Como se fosse provocado pela mulher em questão. Algo assim mágico ou matemático: mulher= preocupações estéticas.  Não passa na cabeça dessas pessoas ao menos desconfiar dessa equação? Bom, tem quatro anos pra vocês se aprenderem, gente. Dá tempo, pô.

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E a fixação da imprensa na emoção? Não paravam de falar sobre o choro do Lula, a emoção da Dilma, como se isso fosse, de fato, notícia. Depois de oito anos, já sabemos que chorar não é dificuldade para nosso agora ex-presidente. E a presidenta é também uma brasileira, apesar do sobrenome e das origens. Não somos ingleses, nem suíços, pessoal. A gente empossa ministro com dois beijinhos e abraço, a gente se emociona e não têm vergonha disso. É o que somos, do que somos feitos. Provavelmente sociolólogos, filhos de políticos de carreira, milicos, ex-governadores biônicos divergem um pouco dessa natureza, mas nós, operários, mulheres, povo, nos emocionamos quando obtemos conquistas realmente significativas na vida.

 

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Mas o melhor de tudo vai ser o orgulho de poder mostrar pra minha filha, que entendeu a importância da eleição do Obama com uma imagem, essa aqui, ó:

Helê

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