Vai, filho

Ontem levei meu filho para seu primeiro acampamento. Em oito anos, é a primeira vez que vamos ficar tanto tempo sem nos falar. Eu já viajei sem ele, ele já viajou sem mim, mas sempre nos comunicávamos a cada 2 ou 3 dias no máximo. Desta vez serão 9 dias sozinho, por conta dele. E eu por minha conta.

Quando um filho nasce, também nasce uma mãe. O bebê é totalmente dependente dela, mas a gente não se prepara para o outro lado da moeda: a mãe também é dependente do bebê. Estruturamos nossa vida em função do filho que chega: horários de trabalho, rotinas da casa, decisões financeiras e profissionais e por aí vai.

Aí eles vão crescendo e a vidinha deles toma um rumo próprio. E nós ficamos meio sem saber o que fazer. Meu filho ainda é pequeno e esse é só o primeiro passo de uma jornada que ainda vai levá-lo para mais longe. E tem que ser assim, é o curso natural da vida. Mas não dá para evitar o sentimento de melancolia que vem junto com essa pequena conquista.

Ontem levei meu filho para seu primeiro acampamento e voltei para casa sentindo um misto de saudade e orgulho, uma alegria meio triste que teima em não ir embora.

-Monix

18 Respostas

  1. A minha tem ainda dois aninhos, ri muito e pensa que eu estou como o Sol no centro do sistema, ou melhor, do universo dela. `Já tenho saudades . Imagina…

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  2. Tem um episódio de The New Adventures of Old Christine (conhece?) que trata exatamente disso. Hilário, por sinal.

    Acho que você iria gostar….

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  3. Toda vez que a minha filha entra no onibus escolar eu sinto um misto de saudade e orgulho. Lindo post. :)

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  4. MOnix,
    ontem assisti um capitulo de Parenthood, e a personagem Sarah Braverman fez um desabafo lindo, sobre isso, com a filha. Fiquei tão emocionada que transcrevi pra o blog.
    Emocionante. Vc e ela.
    beijos

    http://canseivoucomer.blogspot.com/2011/01/sabe-quando-tiver-filhos-se-tiver.html

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  5. Ah, lindo post. Crescer dói. Para as mães também, né?
    Beijinhos, Môzinha.

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  6. Que lindo, Monix.
    Chuinf!

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  7. Sei exatamente como vc se sente :)
    Mas com o tempo, o sentimento de orgulho por criar um filho saudável e independente prevalece. Pelo menos, quase sempre, rsrsrsrs.
    A gente vai se reorganizando, retomando nosso tempo, e isso também é bom. Não só pra gente, como pra eles. Mas é duro. Eu ainda apanho pra caramba.
    Vcs vão ter muita coisa pra contar e conversar na volta, vai ser muito legal! Tou no maior orgulho do meu sobrinho, e de você também!

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  8. É assim como vc descreveu, um alegria descontente.
    Beijos

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  9. Ter de trabalhar esse sentimento meio egoista e deixa-los ir. Dizem por essas bandas que aos 18 anos eles vao para a faculdade e de la para o proprio canto. Eu vou sofrer a sindrome do ninho vazio 10 anos mais cedo do que a media das maes brasileiras no BR. Não vai ser fácil. Quando ele passa algumas horas fora em companhia de outros, eu morro de saudades. Isso porquê ele da tanto trabalho igual a todas as crianças com menos de 3 anos de idade. Um dia eu clamo para que ele cresça logo e fique independente. Noutro clamo o contrário.

    Bjcas

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  10. Sabe que os meus nunca participaram de um acampamento? Também já viajamos separados, mas sempre com um telefone por perto!

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  11. Ai, eu sinto o mesmo a cada viagem de trabalho, a cada feriado prolongado que elas vão pra longe. Eu começo a me sentir assim… desnecessária.

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  12. Olá,

    Lindo seu post.
    Ainda não sou mãe, no entanto me fez ter vontade de compartilhar aqui algumas lembranças de filha…

    Ao contrário do seu sentimento de saudade, creio que minha mãe se sentia estranhamente alheia a meu movimento de crescente independência. Me lembro que a partir de meus 10 anos eu queria que ela tivesse este tipo de sentimento, que ainda cuidasse de mim, mas ela se distanciava cada vez mais, me dando um independência e liberdade que eu achava estranho, não queria e não estava preparada pra ter.
    Lembro perfeitamente de minhas amigas falando pra mim, quando eu tinha uns 13 anos, que era bom ter uma mãe liberal, mas não como a minha…pois a minha me deixava livre demais, sem ter que dar satisfação de nada, e todas queríamos nos sentir cuidadas, amadas, queridas…e às vezes mesmo o controle materno é bom e significa amor, por filhos.
    Tudo isso acumulou em mim uma mágoa grande, pois à medida que ela perdia esse sentimento de proteção e dependência que eu esperava que ela tivesse, eu ia me sentindo meio abandonada…
    Hoje depois de muita terapia, aprendi que cada um faz o melhor que pode, e que não adianta querermos algo que outra pessoa não tem para dar.
    Busco nas minhas memórias tudo o que me fez triste em algum momento, para que eu não repita isso como mãe, quando esse dia chegar. E busco no meu coração, todos os dias, as memórias das coisas boas, que também foram muitas, e o perdão que preciso dar à minha mãe.

    Meu conselho às mamães, como filha, é, não se sintam nunca mal por quererem sempre manter seus filhinhos por perto, por mais que eles reclamem. Eles sentiriam muito mais se vocês agissem da forma contrária.

    Beijos!

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    • Rosa, muito emocionante seu relato. Obrigada por compartilhar conosco.
      Acho que a chave disso tudo é a questão de co-dependência entre a mãe e seu(s) filho(s). Há pessoas que não lidam bem com dependência (precisa ter muita confiança no outro para se entregar a uma dependência mútua), talvez fosse o caso de sua mãe. Ou não. O que importa é que você teve a maturidade e a generosidade de buscar compreendê-la; não é fácil para quem está na posição de filho.
      Volte sempre e fique à vontade para comentar quando quiser.
      Bjs, Monix

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  13. Deve ser difícil mesmo.
    Lindo seu post.
    Bjs.

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  14. O meu faz 20 anos exatamente hoje. Já passei por vários momentos como esse seu; é sempre um aprendizado. Quando ele estava no 6º ano, começou a fazer na escola um tal de ‘clube de aventuras’. E foi um tal de acampar, fazer rafting, ir pra Ilha Grande. Eu me divertia porque eram os meninos que tinham que cuidar da organização das refeições, das compras. Pra ele foi um aprednizado para a vida. Depois disso tudo, só posso dizer uma coisa: é ótimo ver que eles crescem e se tornam adultos bacanas, o mundo precisa muito de gente legal, né? Vocês terão muito o que compartilhar quando ele voltar do acampamento. Segura o coração, mamãe. Bjs

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  15. “misto de saudade e orgulho”, foi na mosca.

    : )

    Um beijo

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