Amando nossas vidas

O fenômeno não é tão recente, mas a proliferação das redes sociais – com sua urgência em manter nosso “status” atualizado e visível para pessoas de diferentes graus de intimidade – provavelmente contribuiu para consolidá-lo em nossa cultura do século XXI.

É a moda do eu-amo-a-minha-vida. Todo mundo ama a própria vida, todo mundo está muito feliz, somos essencialmente seres satisfeitos com tudo o que fazemos, realizamos, conquistamos. Bonito é dizer: “não me arrependo do que fiz, só do que não fiz.”*

Se Fernando Pessoa fosse vivo, seu Poema em Linha Reta não se limitaria ao “nunca conheci quem tivesse levado porrada”. Mais do que não cair, temos que nos manter constantemente flutuando em castelos construídos no ar.

Não é que eu não ame minha vida, nem que me arrependa das escolhas que fiz. Mas olho para trás e percebo erros, falhas, decisões erradas. Meus dias não são uma sucessão de vitórias. Há fracassos, também. Nem sempre é conveniente falar deles, posto que vivemos num mundo em que admitir um fracasso presente é condenar-se a vários fracassos futuros – ninguém confia em alguém cuja auto-crítica seja exposta tão honestamente.

Mas eles existem. De alguns eu tenho consciência, outros nem mesmo eu conheço. Não sou tão arrogante a ponto de pretender saber o que os outros consideram minhas falhas, meus defeitos, enfim, onde lhes aperto o calo.

-Monix-

* Este post vai para a Ângela, quem primeiro me falou sobre o grotesco daquela frase.
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