Dos males, o pior

Tempos atrás escrevi aqui sobre as piores provações que podemos enfrentar morando sozinho. Nesse fim de semana adoeci, e definitivamente, essa é a pior delas. Os outros dois perrengues, bicho escroto e mão de obra, me deixam brava (a presença do primeiro e a ausência do segundo), e disso eu dou conta – embora com menos eficiência do que gostaria. Agora ficar doente sozinha te derruba mais que a enfermidade em si (lembro de um episódio de “Sex and the City” em que a Miranda pira com uma vizinha que morre e só é descoberta três dias depois). Exagero, drama, eu sei, mas a gente fica vulnerável, e daí pra ficar pensando merda é um pulo. Porque toda doença exige um nível de cura para além do comprimido que, ora bolas, você pode levantar e tomar, mas faz muito mais efeito se alguém lhe entrega, junto com um chazinho e uma afofada no travesseiro, não é mesmo?

Duro lidar com a sensação de desamparo, ainda que ela seja apenas isso, uma sensação, que não corresponde exatamente à realidade. Porque eu tenho amigos muitos, familiares queridos, eu poderia ter convocado alguém, mas, francamente, por causa de uma gripe? Aí não, até carência tem limite, for Christ’s sake! Paradoxalmente, quando menos grave, pior: se eu estivesse com, sei lá, suspeita de dengue (toc toc toc na madeira) ok, me aboletaria no sofá do meu pai sem cerimônia, ou acionaria a Dedear, que certamente tomaria uma providência rápida e acertada. Mas por causa de uma febre alta, dor de garganta… não rola, né? Mas também não impede que você fique ali na cama, suando feito um mouro e se sentindo um pano de chão esquecido num canto.

Justiça seja feita, em meio a isso tudo, um aroma de alfazema atravessou o Atlântico e me animou um bocado – só depois de senti-lo fui capaz de preparar uma refeição digna desse nome. Eu disse que o desamparo não era total, mas também é verdade que nem sempre as pessoas prestam atenção. Obrigada pela sua, P., foi importante. E a sua também, Claudio Luiz.

Hoje já me sinto melhor, embora a garganta ainda incomode. Além do mais é segunda, dia de trabalho, vida que segue e “vamos pro jogo que o trabalho é roubo”, como diz minha amiga Caetana. Vocês relevem esse post diarice, um estilo que nem gosto muito, mas eu também escrevo pra desabafar e falar de aspectos não glamorosos da vida. Porque afinal, como li no Facebook de um colega:

“Ninguém é tão feio como na identidade, tão bonito como no Orkut, tão feliz quanto no Facebook, tão simpático como no Twitter, tão ausente como no Skype, tão ocupado como no MSN e nem tão bom quanto no Lattes”. (Na linha do que La Otra  já havia apontado).

Helê

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Jura que é segunda?

Helê

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