Music & me

Tenho essa fantasia de tratar as canções como pessoas, com as quais estabeleço relações, tenho saudades, me alegro ao reencontrar. De algumas guardo detalhes do primeiro encontro: lembro, por exemplo, da primeira vez que ouvi “Água da minha sede”, do Zeca Pagodinho, numa caminhada matinal no Maracanã – amor à primeira audição. Outras tantas são imemoriais, eu já ouvia antes que pudesse me dar conta disso, e essas muitas vezes confortam e acolhem, como velhos conhecidos – entre elas posso citar “Killing me softly with his song”, da Roberta Flack, uma das minhas  lembranças mais remotas. Há músicas (e também pessoas) que sempre estiveram por aí, um tanto despercebidas, até que um dia você nota-lhe um verso (ou uma qualidade) e pimba!, surge uma paixão de onde menos de espera. Aconteceu com o clássico “The way you look tonight”, que me cativou muito tempo depois de conhecê-la.

Dando asas à minha fantasia, considero delicadas as apresentações que envolvem muita expectativa. Costuma ser fatalmente broxante pra mim dizer “Vou te mostrar uma música que você vai adorar”. Tento, mas costuma ter efeito inverso, sinto-me obrigada a gostar e constrangida quando não caio fulminada de amor. Funciona melhor falar bem da canção ou da banda quase sem querer, como diria o Legião Urbana. Se eu não gostar, passou, a canção vai e a amizade fica, sem dolo nem dano.

Mas quando dá certo, a associação se estabelece para todo o sempre, amém. E então as canções me trazem as pessoas e me deixam com aquele risinho bobo no canto da boca, naquela satisfação de rever, ainda que rapidamente, alguém de quem se gosta. Assim, tem uma canção divertidíssima chamada “If you wanna be happy” que a Sam me apresentou, e é impossível não pensar nela quando escuto o animado Jimmy Soul. Assim como eu penso na Cyntia ouvindo “Peel me a grape”, que conheci por causa de um comentário dela aqui no Dufas. E veja que feliz ironia que tenha sido a Ana Paula, a Primeira Leitora,  quem me apresentou “Nobody knows when you’re down and out”, porque quando ouço eu sei que somebody knows, e eu não estou assim tão só. Recentemente a Denise Arcoverde comentou um post meu no FB com “Trouble in mind”, da divina Nina Simone , e foi como ganhar um presente, que eu pego vez ou outra e me alegro, pensando no poder da música em unir o que está disperso, mas ainda assim, pertence.

 

Helê

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