Radio Ga Ga

Quando eu estava na faculdade, uma das minhas matérias preferidas era Radiojornalismo. Acho fascinante que o rádio, talvez a primeira tecnologia a possibilitar efetivamente a consolidação da chamada cultura de massa, ainda seja um meio de comunicação tão presente, após um século em que tantas “novas ondas” ameaçaram substituir as anteriores.

O rádio já poderia ter sido extinto pelo cinema, pela TV, pela internet, pelos MP3 players, pelos celulares que tocam música. Mas, ao contrário do que se poderia esperar, cada nova tecnologia que surge, ao invés de matá-lo, o traz para perto, dá a ele um espaço. O que prova que, tanto como veículo quanto como liguagem, o rádio – pelo menos até o momento – é insubstituível.

Já não há mais radionovelas, nem programas de auditório. Mas para transmitir notícias não existe meio mais ágil. A TV tem custos de produção muito altos. O rádio chega mais rápido. E se permite ser mais descontraído. Também para ouvir música ainda não nasceu substituto à altura. O Ipod é muito dinâmico, mas precisa que alguém o carregue de músicas. Seu repertório sempre será limitado, de alguma forma, pelo gosto ou referências de seu dono. O rádio pode trazer surpresas, memórias, novidades ou antiguidades jamais imaginadas por seu ouvinte.

No entanto, se aquela estudante dos anos 1990 pudesse viajar no tempo, para 20 anos depois… lamentaria profundamente ao “girar o dial” (ok, essa expressão não faz mais sentido) e se deparar com a mesma trilha sonora que já era enjoada mesmo naquela época. Não quero ouvir Careless Whisper em 2011. Fui suficientemente torturada por Endless Love em 1981, tô legal já. Não aguento mais uma execução sequer de Up Where We Belong. Dá pra mudar o disco?

Em pleno século XXI, meu carro não voa. Mas o pior nem é isso. O pior é ter que aturar o engarrafamento ouvindo as mesmas músicas chatas. Podiam pelo menos ser novas músicas chatas.*

***

Ainda no tema, mas mudando de assunto, uma das coisas que achei interessante ao assistir O Discurso do Rei foi poder ver um pouco do que representou o surgimento do rádio e o impacto que aquele novíssimo meio de comunicação representou na vida das pessoas – desde o analfabeto que passou a ter acesso a notícias até então restritas aos círculos intelectuais (com acesso aos jornais) ao rei da Inglaterra, o homem mais poderoso do mundo, que precisou enfrentar uma limitação séria como a gagueira para poder se comunicar diretamente com seu povo. Imaginem a magnitude dessa mudança.

Os homens daquela época estavam criando uma nova linguagem, acertando e errando. Nós, homens e mulheres deste tempo, estamos fazendo o mesmo ao tentar entender o que é essa tal internet. Se ela durar tanto e trouxer tantas mudanças quanto seu bisavô-rádio, já terá valido a pena.

-Monix-

* Aí eu descobri a Oi FM, que me salvou dessa mesmice. Outro dia recomendei para o Alex, acho que ele também gostou. Para notícias, saí da caretice da CBN e só ouço BandNews FM.
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