Pequenos papéis, grandes atores ou…

… Ligando o nome à pessoa

Na época da cerimônia do Oscar li um artigo interessante chamado “A voz dos premiados”. Criticando a mesmice dos discursos de agradecimento, o autor lembrava falas divertidas, inusitadas, lacônicas de anos anteriores. Confesso que nem li tudo, mas fiquei impressionada com o discurso de Dustin Hoffman que, segundo consta, dedicou seu prêmio a todos os atores e profissionais que nunca tiveram a oportunidade de serem contemplados, mas que também a mereciam.

Isso me fez lembrar um rascunho de post que fiz há muito tempo, para falar de alguns atores que eu considero excelentes, mas que têm breves chances de mostrar isso. Em parte porque não atendem aos padrões de beleza e juventude hollywodianos, mas há um tanto de imponderável em jogo, já que são obscuros os caminhos que levam ou desviam do reconhecimento. Kevin Spacey e Harvey Keitel, por exemplo, nunca foram galãs, e no entanto firmaram seus nomes na indústria e para o público. Mas há a chance de obter prestígio e fama tardiamente, como aconteceu com o excelente Morgan Freeman, cujo primeiro grande papel chegou aos 50 anos.

Dos atores a seguir você  provavelmente desconhece  o nome, mas deve identificar de imediato ao ver a foto:

J.K. Simons – decidi escrever o texto neste fim de semana, quando o descobri em Homem Aranha, fazendo o editor do jornal. Depois de ter visto o filme zilhares de vezes, só no sábado o reconheci sem a careca. Volta e meia e ele aparece fazendo o psi de “Law & Order”, sempre pinga aqui e ali em papéis coadjuvantes  e, como demonstrou em “Juno”, pode brilhar se tiver mais espaço.

J.K. Simmons Pictures

Peter MacNicol – deste eu sou fã desde “Ally McBeal”. Excelente na comédia, faz com a mesma competência personagens sérios – agora faz um antipático médico em “Grey’s Anatomy”.  Acho muito bom e torço para que tenha oportunidade de mostrar mais da sua capacidade num grande papel.

Stephen Tobolowsky – esse é figurinha muito repetida,  tenho certeza que você já o viu, e nos filmes mais diferentes possíveis, como “Amnésia”  e “Miss Simpatia 2”. Além disso, ele transita bastante pelo universo das séries de TV, também num amplo espectro. Acho que, sabendo que está fora dos padrões, o cara atira para todos os lados.

Oliver Plat –  também chuleia, caseia e prega botão.  Pode ser encontrado em “Dr. Doolittle” e em “Refém do silêncio”, um suspense com Michel Douglas. Ele costuma dar um toque divertido ou nervoso aos personagens que faz, e eu sempre espero que ele apareça mais um pouco. A última vez que o vi continuava excelente,  fazendo o papel de marido da Laura Linney em “The big C”.

Paul Giamatti – esse tem até um nome mais conhecido, atuou em “Sideways”, que fez certo sucesso. Mas seu tipo físico comum, o estilo feioso simpático, limita as ofertas de papéis principais, eu acho. Vi “O anti-herói americano”, sobre a vida do Harvey Pekar,  só porque ele estava no elenco e foi sensacional, um filme memorável. Dia desses o reconheci, bem jovem, numa cena com Júlia Roberts em “O casamento do meu melhor amigo”, em que o talento dele já era perceptível .

 

E você, tem alguma sugestão para a lista? Já estou pensando numa versão  feminina.

Helê

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