Quando o filme é melhor que o livro

Um amigo me propôs o desafio: quais filmes são melhores que os livros em que se basearam? O contrário acontece com frequência e há inúmeros exemplos. Para começar a brincadeira, ele citou Morte em Veneza (livro de Thomas Mann, filme de Luchino Visconti) e O Poderoso Chefão (livro de Mario Puzo, filme de Francis Ford Coppola). No primeiro caso li o livro – na verdade tentei, mas abandonei antes de terminar* -, no segundo vi o filme; portanto, não tenho como comparar.

Assim de bate-pronto lembrei de O Passado (livro de Alan Pauls, filme de Hector Babenco). O filme, embora extremamente denso e perturbador, é bastante bom. Pouco tempo depois de assisti-lo, uma amiga se hospedou na minha casa e deixou o exemplar dela para que eu lesse, dizendo que tinha tentado e não conseguia passar da metade. Não que o livro não seja bom – sem dúvida o é -, mas esse efeito disturbing é muito exacerbado e de fato tornou impossível, também para mim, concluir sua leitura.

O segundo exemplo de que me lembrei é, na verdade, um desenho animado: Alice no País das Maravilhas, a versão da Disney. Os fãs de Lewis Carrol devem (e podem) me condenar pela heresia, mas calma. É claro que o livro é uma obra-prima, mas acho que o desenho – justamente pelo fato de ser uma fantasia em animação – consegue dar vida à psicodelia de Alice de uma forma que jamais a literatura poderá realizar.

Mais tarde, namorado apresentou sua contribuição: A Identidade Bourne (livro de Robert Ludlum, filme de Doug Lyman). Segundo ele, o livro padece de um defeito que ele considera irritante em livros de ação: a personagem feminina é totalmente inverossímil, fraca, estereotipada. O que é uma pena, pois um dos pontos fortes do(s) filme(s) é justamente a personagem Marie.

Agora me contem, quais seriam suas contribuições a esta lista?

-Monix-

Update: Lembrei de um caso emblemático: O Curioso Caso de Benjamin Button, o filme de David Fincher, leva o conto de Scott Fitzgerald muito além, e acrescenta à história uma dose de lirismo e encantamento que o original não carrega em si. Deve ser um talento especial do diretor, pois acho que talvez A Rede Social seja melhor que o livro em que se baseou, Bilionários por Acaso.

* Tenho uma vergonhosa lista de clássicos abandonados no meio: além de Morte em Veneza, não consegui terminar a leitura de Mrs. Dalloway, O Velho e o Mar, O Grande Gatsby, Viagens de Gulliver e provavelmente alguns outros que já nem lembro mais. Pronto, falei.
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