Assistindo ao casamento real

Ok, gata não. Mas preta com certeza, e tão interessada quanto …

Bom finde!

Helê

20 anos sem Gonzaguinha

Se me der um beijo eu gosto

Se me der um tapa eu brigo
Se me der um grito não calo
Se mandar calar mais eu falo
Mas se me der a mão
Claro, aperto
Se for franco
Direto e aberto
Tô contigo amigo e não abro
Vamos ver o diabo de perto

Recado

Helê

Déficit de atenção, superávit de leitura

Desde que me entendo por gente, nunca a pergunta “o que você está lendo?” deve ter ficado sem resposta. Li sempre, até onde a vista alcança.

Mas leio com a atenção difusa, em geral 3 ou 4 livros em paralelo; livros com personalidades diferentes, como se fossem convidados de uam festa eclética.

No momento, por exemplo, minha lista de leituras é a seguinte:

As Seis Mulheres de Henrique VIII. Esse é o romance histórico. Interessantíssimo, deliciosamente escrito, mas às vezes me canso das tramas da corte e, principalmente, da genealogia confusa das famílias reais.

Aí eu descanso carregando pedra com o Contra Amor, que comecei quase ao mesmo tempo, por indicação do meu amigo libertino. Trata-se de uma análise cortante das relações amorosas tal como se estabelecem nos dias de hoje, ou seja, nossas quase sempre vãs tentativas de conciliar paixão, monogamia e perenidade.

Nos intervalos entre um e outro, caio na leitura fast-food de Leading Couples: Unforgettable Screen Romances of the Studio Era, uma delícia de biografia conjunta dos casais hollywoodianos que fizeram o mundo suspirar na era de ouro do cinema. (Acabo de me dar conta de que os 3 livros falam sobre romance e casamento, para o bem ou para o mal. Abafa.)

Correndo por fora, eventualmente pego uma leitura mais instigante, ou mesmo descartável, e não largo até terminar. Foi o caso de O Efeito Facebook, e provavelmente será da mesma forma com O Segredo de Frida Kahlo, que ganhei de presente de aniversário e com o qual sinto que viverei um caso de amor à primeira página.

Ficou cansada(o) só de ler o post? Ou se identificou totalmente com a minha maluquice? Conta para mim: como você se relaciona com os livros?

-Monix-

Anatomia

(via Observando)

Helê

O planalto e a estepe, Pepetela

Atração fulminante, daquelas que não sossegam até que se possa consumir –  ou consumar – totalmente. Deu-se comigo e esse livro de Pepetela, esse importante escritor angolano com nome de apelido infantil. Esbarrei nele segunda ou terça, e só larguei sábado, depois de finda a leitura. Desconsiderei uma cansativa viagem de ônibus para o subúrbio, acolhi com simpatia a insônia, não reparei no enguiço do trem: tudo ia muito bem para mim, tudo oportunidade para percorrer aqueles caminhos e desvendear os destinos daquele personagem por quem a empatia surge logo nas primeiras páginas. No meu caso, no ponto de partida: como resistir a um livro que começa com a frase “A minha vida se resume a uma longa e sinuosa curva para o amor”? E dita por um homem, ainda por cima?

O tempo é um atleta batoteiro, toma drogas proibidas, corre mais que todos. E quanto mais o quisermos agarrar, porque resta pouco, mais ele corre. Por isso são sábios os velhos dos kimbos, nunca querem agarrar o tempo, deixam-no passar por eles, as peles devem ser rugosas  e o tempo entranha-se nelas, deslizando com mais dificuldade.

Fenda da Tundavala, fim do Planalto Central de Angola

Conclui a leitura e tive aquele acesso internético que me acomete quando extasia-me alguma novidade: corri a São Google (embora o padroeiro do dia fosse Jorge) e danei a procurar críticas do livro, notícias do autor, talvez alguns dados da fantástica história de amor que atravessa guerras, fronteiras e o mais implacável dos inimigos, o tempo. E que desde o início se apresenta baseada em fatos reais, o que aumenta a curiosidade. Mas recuei e vim  aqui alinhavar minhas impressões ainda frescas e sem influências.

A juventude merece perdão pela sua incredulidade.


Dos poucos africanos que li até agora,  este livro é o mais próximo do português brasileiro, o menos estranho aos ouvidos (o certo talvez fosse aos olhos, não?). Ainda assim tem sotoque, melodioso e sedutor, como costuma soar o português  lusitano que na África se instalou. Ouvir e ler o português de outros países lusófonos é como conversar com um primo  que não conhecíamos, mas com o qual nos entendemos e vislumbramos semelhanças: ancestrais, atuais, ocultas, óbvias, surpeendentes, inexplicáveis.

Planície da Mongólia


Nunca li uma história de amor que me ensinasse tanto sobre política internacional – ou, ao menos, me incitasse a aprender. Acho que é, na verdade,  um romance histórico que não ousa dizer o nome. Afinal, nosso heroi é um angolano que vai estudar em Moscou na década de 1960 para levar o socialismo a seu país e ao mundo; lá apaixona-se por uma estudante, filha de um alto dirigente da Mongólia, que os separa com a truculência típica dos regimes totalitários. O livro termina em 2008; percorre, portanto, as últimas e turbulentas décadas do século passado em palcos de destaque no cenário mundial. Dependendo da idade de quem lê, pode relembrar fatos vividos e esquecidos, ou parecer uma extensa reportagem sobre um passado recente. Um tempo em que ideologia era mais que uma (boa) canção de Cazuza:

Como constataria mais tarde na minha penosa existência, os fiéis deixavam de o ser ao estudarem marxismo e comunismo e enquanto lhes convinha. Mas tempos depois, desiludidos com a vida, abandonavam o marxismo. E regressavam às religiões. Acontecia por vezes de não ser a religião de origem, mas era de qualquer modo uma religiião. Fraquezas, medos, interesses, sei lá.

Não é fácil viver sem Deus.


Matreiro, o narrador, Júlio, inicia seu relato prometendo não se alongar demais  – e , de fato, teria muito mais ainda a contar da trajetória de um colono pobre do sul de Angola que chega a general depois de lutar pela independência. Porém, ainda que conciso, relata suas memórias desde a infância em Tudavala até os últimos momentos, sendo o amor por Sarangerel o caroço de sua vida e do livro. Nos afeiçoamos a seus amigos, odiamos seus opressores,  e em certa medida amamos aquele amor dolorosamente perene. Junto com ele cremos nas utopias – ou lembramos de quando acreditávamos – e vamos com ele aparando inocências, restando apenas uma raiz de esperança.

É um livro belíssimo, uma aula de história bem ministrada com  reflexões sobre vida, morte, doutrinas, culturas, tudo isso sem deixar de ser uma comovente história de amor. Que seduz o leitor nas primeiras páginas e quando você se dá conta, pronto: também  já caiu de amores.

Ouvi apenas. Porque pensar, reconhecer, perceber, reparar se tinham tornado acções impossíveis: Sarangerel estava à minha frente.

Morri ou renasci? Haverá diferença?

O Planalto e a Estepe, Pepetela, Editora LeYa

(Leia o primeiro capítulo no site do autor )

Helê

Monix Day!

O calendário errou, not monday, hoje  é Moday! (ui, péssima, eu sei, mas não resisti).

É dia de celebrar, afofar, presentear, chamegar, beijar e comentar muito aqui sobre mi Sociamada, essa mulher fascinante que eu tirei a sorte grande de ter como amiga. Espero continuar merecendo o que considero verdadeiramente uma honra, Mô.

E desejo que você receba em dobro todo o bem que você me trouxe desde que entrou na minha vida.

Seja sempre muito feliz!

Bora deixar bastante pegadas por aqui hoje, pessoas!

Helê

Salve Jorge!

(Fonte)

“Ogum com sua espada
Sua capa encarnada
Me dá sempre proteção
Quem vai pela boa estrada
No fim dessa caminhada
Encontra em Deus perdão”

Pra São Jorge, Zeca Pagodinho

Jorge sentou praça
na cavalaria
e eu estou feliz porque eu também sou da sua companhia

Eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge
Para que meus inimigos tenham pés
e não me alcancem
Para que meus inimigos tenham mãos
e não me toquem
Para que meus inimigos tenham olhos
e não me vejam
E nem mesmo em pensamento
eles possam ter para me fazeram mal

Jorge da Capadócia, Jorge Ben

As músicas podem ser ouvidas na nossa página no facebook: Duas Fridas

Helê

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