Sem mais

(Foto: Alexandre Loureiro)

Helê

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Cair e levantar

Você aí, amigo leitor do sexo masculino, vou te dar uma dica: você já reparou que as mulheres caem? Não sei qual é a base científica para esta afirmação, mas anos de observação empírica me dão segurança para dizer isso com total certeza. (Fiz uma busca na internet e não encontrei sustentação para essa generalização – mas quase todas as mulheres para quem perguntei confirmaram que já caíram várias vezes ao caminhar na rua, e nenhum dos homens respondeu afirmativamente à mesma pergunta.)

Bom, o caso é que volta e meia eu caio. Na rua. Em três ocasiões, no meio da rua. E quando eu digo no meio da rua estou me referindo ao asfalto. É, aquela parte onde os carros passam, os ônibus e tal. Pois é. Perigo à vista. Não bom.

Daí que em todos esses anos de videocassetadas acumuladas, sabe quantas vezes alguém se ofereceu para me ajudar a levantar do chão? Nenhuma. E mesmo correndo o risco de macular minha tão bem construída imagem de feminista-de-plantão, me espanto mais especificamente com a incapacidade dos homens de acudir uma moça em apuros.

Amigo leitor, por favor me explique isso. Você está andando na rua e vê uma mulher caída no meio do asfalto, com pasta para um lado, bolsa para o outro, tentando se levantar antes de ser atropelada por carros que fazem a curva sem saber que vão se deparar com uma destrambelhada que se estabacou no chão. O que você faz? Fica olhando como se fosse um pateta? E quando a nossa pobre donzela consegue se refazer do susto e se levantar correndo de volta para a calçada, você se dirige a ela com um olhar que é um misto de espanto e repreensão (como você conseguiu cair no meio da rua?) e pergunta, com a maior cara de pau: “machucou?”?

Nos vários tombos que tomei, nunca um cavalheiro foi capaz de atitude diferente dessa. Fosse desconhecido, amigo, namorado, compadre, não importa. Semana passada, quando contei para um amigo a cena que acabei de descrever (e que aconteceu comigo numa esquina da Nove de Julho, em São Paulo, calculem), ele tentou se defender dizendo que já estaria fazendo um esforço muito grande para não rir e que por isso não poderia ajudar. Outros homens alegaram que ficam “assustados” (hello, e a pessoa que caiu está super calma, deve ser), ou “chocados”, ou sei lá o quê, quando veem a mulher tropeçar e ir ao chão.

Vou dizer uma coisa, não sei se em nome de todas as mulheres estabanadas do mundo, mas falo por mim: prefiro um moço que venha me ajudar rindo do que um que fica parado com cara de bobo enquanto eu me estrepo no chão da rua. Sem mais, atenciosamente.

-Monix-

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