Cair e levantar

Você aí, amigo leitor do sexo masculino, vou te dar uma dica: você já reparou que as mulheres caem? Não sei qual é a base científica para esta afirmação, mas anos de observação empírica me dão segurança para dizer isso com total certeza. (Fiz uma busca na internet e não encontrei sustentação para essa generalização – mas quase todas as mulheres para quem perguntei confirmaram que já caíram várias vezes ao caminhar na rua, e nenhum dos homens respondeu afirmativamente à mesma pergunta.)

Bom, o caso é que volta e meia eu caio. Na rua. Em três ocasiões, no meio da rua. E quando eu digo no meio da rua estou me referindo ao asfalto. É, aquela parte onde os carros passam, os ônibus e tal. Pois é. Perigo à vista. Não bom.

Daí que em todos esses anos de videocassetadas acumuladas, sabe quantas vezes alguém se ofereceu para me ajudar a levantar do chão? Nenhuma. E mesmo correndo o risco de macular minha tão bem construída imagem de feminista-de-plantão, me espanto mais especificamente com a incapacidade dos homens de acudir uma moça em apuros.

Amigo leitor, por favor me explique isso. Você está andando na rua e vê uma mulher caída no meio do asfalto, com pasta para um lado, bolsa para o outro, tentando se levantar antes de ser atropelada por carros que fazem a curva sem saber que vão se deparar com uma destrambelhada que se estabacou no chão. O que você faz? Fica olhando como se fosse um pateta? E quando a nossa pobre donzela consegue se refazer do susto e se levantar correndo de volta para a calçada, você se dirige a ela com um olhar que é um misto de espanto e repreensão (como você conseguiu cair no meio da rua?) e pergunta, com a maior cara de pau: “machucou?”?

Nos vários tombos que tomei, nunca um cavalheiro foi capaz de atitude diferente dessa. Fosse desconhecido, amigo, namorado, compadre, não importa. Semana passada, quando contei para um amigo a cena que acabei de descrever (e que aconteceu comigo numa esquina da Nove de Julho, em São Paulo, calculem), ele tentou se defender dizendo que já estaria fazendo um esforço muito grande para não rir e que por isso não poderia ajudar. Outros homens alegaram que ficam “assustados” (hello, e a pessoa que caiu está super calma, deve ser), ou “chocados”, ou sei lá o quê, quando veem a mulher tropeçar e ir ao chão.

Vou dizer uma coisa, não sei se em nome de todas as mulheres estabanadas do mundo, mas falo por mim: prefiro um moço que venha me ajudar rindo do que um que fica parado com cara de bobo enquanto eu me estrepo no chão da rua. Sem mais, atenciosamente.

-Monix-

16 Respostas

  1. eu não uso saltos no rio de janeiro. com essas calçadas que temos é como pedir p fraturar um ossinho. e putz, gente q nao ajuda -> odio

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  2. acho que o erro aí é colocar a questão em termos de homem e mulher, como se uma mulher que cai no meio da rua tivesse que ser mais socorrida do que um homem….

    tudo, tudo, tudo o que vc falou poderia ter sido escrito sem gênero, simplesmente levantando a questão de porque as pessoas não ajudam umas as outras, independente do seu sexo.

    pq nao um texto sobre o fato de que é absurdo pessoas cairem em público e nenhuma outra pessoa vir ajudar?

    pelo tom, fica parecendo que uma mulher cair e ninguém vir ajudar é mt mais escandaloso do que se fosse um homem que caísse e ninguém viesse ajudar. e é essa a mensagem?

    for the record, eu já torci o pé correndo pra pegar um ônibus no Jardim Botanico. Fui ajudado. As pessoas me ajudaram a subir no ônibus e mt gente ficou de pé pra eu poder esticar a minha perna no banco de trás.

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    • é, eu sei. coerência, não trabalhamos, vc sabe. não sei por quê, mas me incomoda, assim, a nível de mocinha, não ser socorrida pelo cavalheiro mais próximo. enfim.
      agora, eu vejo e ouço muito mais mulheres falando de quedas, isso é minha observação empírica. não sei se tem fundamento, mas minha amostragem é mais por aí – mulheres caem, homens nort so much.
      que bom que te ajudaram quando você caiu… comigo nunca aconteceu! blé.

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  3. Já eu não caio com frequência, não. Mas reconheço e me irrito com essa repreensão velada ou não (como você conseguiu cair no meio da rua?), tipicamente masculina, praticamente te dando um esporro porque você caiu. Pior do que rir.

    Agora, pra não perder a piada: todo mundo sabia que o post era seu, antes da assinatura, né, Sócia? Porque se fosse meu ia chamar, claro, “Beber, cair e levantar”, hahahahaha!

    Helê

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  4. Monix, mais uma estabanada se apresentando. Eu vivo tropeçando, virando o pé. Culpa da minha patetice, das calçadas medonhas de petit pave desta cidade e sei lá mais do que. Uma vez caí em Floripa, dei um peixinho mesmo, com o Gabriel no canguru, sabe? Ninguém foi capaz de me ajudar. Ou seja, nem um bebê compadece as pessoas. Eu rasguei a calça, fiquei super preocupada com ele, mas nada de mais grave aconteceu. Por sorte, nos últimos tempos nunca mais caí, só piso em falso mesmo. Não sei se estou mais equilibrada ou só dando sorte mesmo.
    Melhoras pra você aí, viu? Sou solidária.
    beijos.

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  5. Eu tô na turma das que caem com certa frequência. Nem preciso estar de salto alto, nem precisa ser em uma calçada esburacada.

    Simplesmente, de vez em quando, piso em falso e vou ao chão. Cheguei a quebrar um pé uma vez. Tenho várias amigas que também caem. Uma já rompeu o ligamentos do tornozelo no meio da rua. Outra quebrou o cóccix.

    Que será isso que nós temos? Já cheguei a pensar em um grau leve de labirintite, mas exames médicos nunca revelaram nada.

    bjos

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  6. Eu nunca achei a menor graça em ver alguém cair. Sério. Nem mesmo quando o tombo é espalhafatoso e aparentemente inofensivo eu consigo achar alguma graça.
    De modo que nunca entendi por que as pessoas riem das tais videocassetadas…

    Será grave o que tenho, Dra. Monix?

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  7. Às vezes, nem sangue, Flávia…

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  8. É, acontece. A época das obras do Rio Cidade foi uma barra. Eu caio também, mas além do péssimo estado das ruas e calçadas também culpo meus 1,73m sobre pés tam. 36 e o fato de não ter frequentado a pré-escola e perdido todas aquelas lições de noções corporais, equilíbrio e lateralidade. Rsrsrsrs! O fato é que ninguém ajuda mesmo. Será que é preciso sangue pra comover o povo? Bjs.

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  9. trauma. eu tinha uns 6 anos, estava com minha mãe cheia de pacotes de compras na rua e ela caiu. uns caras do botequim começaram a rir. fiquei muito chateada. ajudei minha mãe e xinguei os babacas.

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  10. Depende do tombo, né? Tem uns que podem a té ser engraçados, mas se vc cair perto de mim, eu te ajudarei com certeza. Eu costumo ajudar, principalmente mulheres e senhoras,mas juro que às vezes rio também.
    Bjs e boa recuperação.

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  11. Eu quase não caio, porque sou estabanada demais e não me arrisco em manobras perigosas. Mas confesso que sempre tenho vontade de rir quando vejo tombos de outras pessoas na rua. Os mais engraçados são aqueles em que a vítima tropeça e tenta não cair, dá vários passos desengonçados até…. cair. O que, aqui no interior, a gente chama de “catar um cavaco”. De qualquer maneira, ofereço ajuda quando presencio uma cena dessas.

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  12. Engraçado… nunca tive a experiência de ver ninguém cair perto de mim, no máximo tropeçar, mas sem cair de fato. Agora eu, nos últimos anos, caí algumas vezes, de modo tão desastroso que eu passei a ter cuidado redobrado com escadas e meios-fios. Na última vez eu fui ajudado. E ninguém riu…:-(

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