Rio – um filme à altura

Está em cartaz nos cinemas o Rio de Janeiro que a gente gostaria: um pouco mais charmoso, um pouco menor, um tanto mais verde. (E com as calçadas niveladas!)

É a nossa cidade, com licenças poéticas.

O longa de animação dirigido pelo brasileiro Carlos Saldanha é uma linda homenagem ao Rio, com detalhes apaixonantes. Os bairros da cidade são retratados com perfeição de detalhes (embora com algumas liberdades geográficas, como o voo de asa delta que passa ao lado do Corcovado). Detalhes que aparecem também na ambientação: as placas de numeração das casas são de metal azul, as lixeiras são de plástico laranja (com a palavra PEREFEITURA escrita na vertical), o uniforme do policial tem a bandeira azul e branca na manga. Quando amanhece na praia, as cadeiras do quiosque estão viradas sobre a mesa. Estão lá o bonde de Santa Teresa, os arcos da Lapa, a Catedral disco-voador, o edifício-sede da Petrobras, o paralelepípedo, o calçadão, a Vista Chinesa, Ipanema, a favela com vista para o Pão de Açúcar, o bondinho, o transformador de energia em forma de sanfona, a Quinta da Boa Vista, o Maracanã. O Sambódromo, com direito a um desfile super criativo, que tem samba enredo com rima para Sapucaí e uma ala de jacarés que deveria ter existido no “Real Rio”.

Mas o mais apaixonante no filme é a forma como são retratados os cariocas. Desde o menino Fernando aos bobos ajudantes do vilão, com um destaque especial para Sílvio, o vigia do zoológico que tira o uniforme e está pronto para o Carnaval, com um top de lamê dourado e frutas na cabeça.

Os pássaros também têm a ginga carioca. Nico e Pedro, que trazem os momentos de alívio cômico, encarnam com perfeição nosso espírito debochado e irreverente. Em determinado momento, a cidade para para assistir ao jogo do Brasil contra a Argentina.

Mas a cena que mais nos encantou foi logo no início do filme, quando Linda e Blu estão recém-chegados à cidade. O Carnaval está para começar, e o jipe de Túlio tem que parar para dar passagem a um pequeno grupo de foliões. A gringa, meio espantada, pergunta, ao ver uma passista de biquini dourado: “ela é dançarina profissional?” Ao que o amigo carioca responde: “não… na verdade, ela é minha dentista! Olá, doutora!” E isso explica a cidade para um estrangeiro melhor que uma centena de documentários.

Duas Fridas

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