Ela chegou

Minha avó materna foi a filha mais velha de sua família. Minha mãe, a primogênita de sete filhos. Eu fui a primeira filha, neta e bisneta. Pelo lado paterno, embora já tivesse dois primos quando nasci, fui a primeira neta. Em um ano, éramos cinco meninas.

Como fica fácil de perceber, cresci num verdadeiro matriarcado. Para mim, a coisa mais normal do mundo são os papos intermináveis na cozinha, telefonemas rapidinhos que se transformam em uma conversa que faz acabar a bateria do telefone sem fio, cafés da manhã que viram almoços porque ninguém se levanta da mesa, e por fim, mas não menos importante, um incrível intercâmbio de roupas, sapatos, bolsas e acessórios que durante muito tempo me fez praticamente não ter motivo para ir ao shopping e mesmo assim manter meu guarda-roupa sempre renovado.

Aí vieram os novos bebês. Os bisnetos da minha avó. Um menino. Depois outro. E mais um. Hoje, são nove bisnetos. Todos meninos. Um festival de energia yang que nossa família nunca tinha vivenciado. Tivemos que aprender sobre Power Rangers, Ben 10, times de futebol. Os tombos, chutes, movimentos bruscos e a movimentação incansável dos meninos tomaram conta das festas de Natal.

Até que hoje ontem, enfim, nasceu nossa menininha. Júlia, minha sobrinha, a princesa que irá trazer de volta os lacinhos de fita e a cor suprema para os lanches de domingo*.

Na escalação do time da fantasia, sai Bob o Construtor, entra Dora a Aventureira. Desculpem o exagero dos estereótipos de gênero (meu filho sempre curtiu a Dora, por exemplo), mas essa menininha que acabou de chegar já me deixou assim, meio cor-de-rosa.

-Monix-

* Modo de falar. Amo minha família, nos vemos sempre, mas não temos o hábito de nos encontrar semanalmente. Aliás, tema para um post futuro: o que aconteceu com os almoços de família? A resposta está na fila do restaurante mais próximo de você.
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