Capricha no make-up

Minha adolescência coincidiu com o auge da era new-wave, quando usávamos gel no cabelo (com glitter, e muito), sombras nos olhos em degradê, muito blush roxo e batons cintilantes.

Talvez por isso, depois de adulta adotei o visual cara-lavada como norma. Até ingressar no mundo corporativo, em 2002, não usava nem esmalte nas unhas. Fazia manicure uma vez ao ano, para passar o Natal e o Reveillón com as mãos bonitinhas. Passava um corretivo para disfarçar as olheiras, que sempre foram profundas, e um batonzinho que se esvanecia em duas horas. E só.

Até que, há algumas semanas, fui a um casamento muito chique e badalado e precisei dar uma caprichada no visual. Mas, como não acho que maquiagem seja uma coisa assim tão importante, me recusei a pagar uma conta de três dígitos no salão. Por sorte minha amiga brasiliense Nessa estava no Rio e se prontificou a me ajudar. Convidei Helê e – voilà! – estava orquestrada uma sessão de maquiagem, penteado, produção e fofocas.

A Nessa me ensinou alguns truques básicos, e outras coisas eu fui lembrando da época da maquiagem new-wave-degradê-de-roxo-com-lilás. Ainda consigo passar o lápis tanto na parte interna da pálpebra inferior quanto na parte externa da pálpebra superior, sem borrar. A Helê é muito melhor que eu nesse quesito, mas eu não chego a dar vexame. Aprendi (mais ou menos) a passar o rímel sem deixar preto o nariz ou a parte de cima das bochechas (por causa da piscada de olho, quando fica com excesso). A Nessa me explicou que tenho que passar primeiro a base, para uniformizar o tom da pele, e depois o corretivo, que dessa forma fica mais disfarçado.

O resultado ficou do jeito que eu queria – discreto, mas valorizando os traços do meu rosto.

Aí aconteceu uma coisa que eu não estava prevendo: viciei. E então a pessoa dorminhoca e cuja manhã já é suficientemente corrida precisou incluir 10 a 15 minutos a mais nas rotinas matinais para poder sair de casa maquiada. Para qualquer lugar. Seja o trabalho de todos os dias ou uma festinha infantil, M.A.C. é meu pastor e nada me faltará.

-Monix-

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