Ironia do destino

Muito já se falou sobre o absurdo dos preços de ingressos para shows, teatros e cinema no Brasil. Os responsáveis pelos espetáculos se justificam creditando os altos valores cobrados à lei que os obriga a cobrar meia-entrada de estudantes. O objetivo é nobre – estimular os estudantes, que em geral não têm muito dinheiro  sobrando – a ampliar seus horizontes culturais através da música, das artes cênicas, da sétima arte.

O problema é que ocorreu um efeito imprevisível desta norma, e os estudantes (pelo que alegam os produtores de eventos culturais) passaram a compor a maior parte do público pagante. (E nem vou me aprofundar na questão da falsificação, porque não tenho tempo para pesquisar, mas uma observação empírica entre amigos e conhecidos me faz suspeitar que o índice deve ser bem alto.) Com isso, os preços foram subindo, subindo, até chegarem ao patamar atual, que obviamente não é realista para quem paga a entrada inteira. O valor real seria, portanto, o da meia-entrada. Quem não é estudante ou idoso, ou seja, a “segunda idade”, acaba pagando, na verdade, o dobro do preço justo.

Daí que agora eu sou estudante. E tenho uma carteira de estudante. Posso legitimamente me beneficiar da prerrogativa de pagar o preço verdadeiro dos ingressos de shows, por exemplo. E aí entra a ironia do destino, esse senhor caprichoso e brincalhão, que se diverte às custas da gente: o fato de estar trabalhando e estudando (aos 41 anos*, é bom que se diga) por si só acaba com qualquer possibilidade de eu ter disposição para ir aos tão interessantes eventos culturais que acontecem na cidade. Sem falar que, por exemplo, caso eu conseguisse achar ânimo para encarar o show do Steve Wonder no Rock in Rio… teria que perder uma aula para ir até lá. #paradoxofeelings.

Ou seja. Né? Quando a pessoa quer, não pode. Quando pode, não consegue. Valeu aí, seu Destino.

Eu, eu ,eu a Monix se deu mal!

-Monix-

* E não, por mais que a gente queira, os 40 não são os novos 30. O peso da idade, às vezes, é mais que uma expressão em sentido figurado, e a gente sente, literalmente, que está levando uma carga extra – no bom e no mau sentido.

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6 Respostas

  1. Eu só quero saber quando vou começar a dormir 4 horas por noite e ficar tranquilo no outro dia…

    Admiro quem depois dos 30, tem disposição para ir aum show….na verdade, não admiro, na verdade eu não entendo mesmo.

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    • Pergunte ao seu amigo, eu também não entendo… ou melhor, até entendo, mas não consigo acompanhar!

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      • Imagina, gente! Eu já passei dos 30 e adooooooron shows! Para mim, talvez metade da magia musical esta em ver a banda / cantor ao vivo. É ali que vejo o artista completo, me encanto (ou me desencanto, vai saber). Agora, claro, a maioria do público vai ser bem mais xóven e vc será a tia. Faz parte do show 😉

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  2. Realmente, os preços estão absurdos!
    Como nem eu nem marido somos estudantes e o meu lado politicamente correto ainda me impede de recorrer às falsificações, diminuímos consideravelmente às idas a shows e peças de teatro.
    O que salva é o Itaucard… ainda conseguimos meia entrada em alguns locais…rs

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  3. nem me pergunte quantas vezes consegui aproveitar a meia entrada o ano passado quando estava fazendo a pós…

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  4. Essa história dos 40 serem os novos 30 é só um discurso para legitimar os homens solteiros que ainda moram com os pais depois dos 40.

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