Vergonha

Quem mora no Rio já está acostumado a ter um lado meio guia turístico amador. Ao longo do ano, muitas vezes recebemos aquele e-mail ou telefonema tão familiar: “oi, meu amigo gringo / filho / cunhado está indo passar uns dias no Rio, você teria uma sugestão de passeio / hospedagem / balada / restaurante?”

No meu caso, é um prazer atender esses pedidos. Além do fato de ser apaixonada (ainda que nem sempre tenha razões objetivas para isso) pela cidade, desconfio que tenho mesmo uma vocação reprimida para guia turística – não é para “me gabar” não, mas meus e-mails com dicas de viagens não costumam deixar o cliente insatisfeito. 🙂

Quando recebo hóspedes de fora, o único passeio a que faço questão de leva-los é um giro pelo Centro do Rio. Pode ser a Cinelândia com seus prédios históricos e o suntuoso Cinema Odeon BR; uma caminhada pela rua do Lavradio, ou a Praça XV, ou a Gonçalves Dias com a imperdível Confeitaria Colombo; a travessia da avenida Presidente Vargas com a igreja da Candelária “de costas”; ou a renascente Zona Portuária, com o charmoso Largo de São Francisco da Prainha, a Gamboa, a confusão da Praça Mauá.

Uma recomendação que nunca falta é que o visitante tire um tempinho para ir à Lapa e a Santa Teresa, dois lugares onde o Rio é mais carioca. Quem vem de fora costuma ficar muito restrito ao circuito Zona Sul – praias, e essa é só uma face da cidade – uma parte importante do que somos, mas não a única.

Por tudo isso, o acidente com o bondinho de Santa Teresa, um cartão postal valioso da cidade, é imperdoável. Não dá para aceitar o descaso das autoridades responsáveis pela manutenção dos bondes e pela segurança dos passageiros. Já seria um acidente gravíssimo em circunstâncias normais (um meio de transporte, que leva pessoas de um lugar a outro, administrado pelo Estado, tem que estar acima de qualquer dúvida no que diz respeito à segurança). Mas em se tratando de um ponto turístico importantíssimo de um município que vive de sua reputação de Cidade Maravilhosa, sinceramente, não dá para relevar nem atenuar. Espero que o luto dos próximos dias tenha pelo menos o efeito de catalisar as mudanças importantes que precisam ser feitas no sistema de bondes de Santa Teresa.*

-Monix-

* Espero porque sou de esperança. Os fatos não nos deixam muito espaço para otimismo.

Multidão

Recebemos na semana passada um simpático e-mail:

Olá!

Sou estudante de audiovisual na Escola de Comunicação da UFRJ e estou produzindo, com outros alunos do curso, o curta-metragem, “Bovarius Flavus” (em tradução livre do latim “Vaca Amarela”).


A história trata das diferenças e rivalidades de Joaquim e Teobaldo, dois meninos que competem pelo título de melhor jogador de bolinha de gude da pracinha. Pouco a pouco, os dois acabam isolados, e em meio à sua guerra, passam a entender que é justamente em seu rival que encontram identificação. Um elo que perdurará pelo resto de suas vidas, à sua própria maneira.
Como toda produção independente, toda a ajuda (e isso inclui muita divulgação) é sempre necessária. E é por isso que estamos entrando em contato pra pedir que o blog Duas Fridas nos ajude nessa fase do curta-metragem.

Nosso projeto acaba de entrar no ar do site de crowdfunding Catarse , uma plataforma incrível para realizadores e cineastas independentes, assim como nós, divulgarem seus projetos e captarem contribuições de investidores diversos. Quem contribui para o projeto ganha recompensas exclusivas e, de quebra, colabora para a renovação da cultura nacional.

Seria uma ajuda enorme para nós ter nosso projeto divulgado no blog Duas Fridas. Ou ao menos contar com a contribuição de vocês no Catarse ; )
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Entramos no site do projeto, muito bonito e bem estruturado. A sinopse do curta é tocante, e tudo indica que o grupo irá realizar um belo trabalho.

Além disso, simpatizamos muito com a ideia do crowdfunding, que em bom português significa “financiamento pela multidão”. É a internet no seu melhor, ou seja, reunindo pessoas em torno de um objetivo em comum.

E a cereja no sundae, para nos fazer simpatizar ainda mais com o projeto: o grupo é da ECO, nossa Escola de Comunicação, onde uma cursou a graduação e a outra fez o mestrado. Ou seja, tudo a ver com a gente.

Ajudem e divulguem, queridos leitores. Só com uma ideia na cabeça e uma câmera na mão já não se vai mais tão longe quanto antigamente…

Duas Fridas

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