Hiperbebês

Quando nasceu meu filho, a pediatra chegou na maternidade, abriu a janela do quarto e o levou para ver a luz do sol. A orientação que recebemos, pais de primeira viagem, era de deixar o bebê aprender, desde logo, a diferença entre dia e noite. Também aprendemos a deixá-lo com roupas confortáveis e que não prendessem os movimentos, e a fazê-lo participar da rotina da casa, escutar as conversas, enfim, já ir se familiarizando com esse nosso mundo louco (obviamente que com os devidos cuidados em relação a higiene, barulhos excessivos etc).

Minha mãe e minha avó, que são duas mulheres de mente aberta e que respeitam muito o jeito de ser de cada um dos filhos e netos, aceitaram bem a mudança de paradigma – minha avó estranhou um pouco mais, minha mãe um pouco menos. Mas as duas fizeram questão de apontar a diferença para a forma como tinham aprendido a lidar com bebês. Antigamente, me contavam elas, antes de um mês de vida os bebês ficavam relativamente isolados da rotina do resto da família, sempre no quartinho escuro, com bastante silêncio. Aprendi com minha mãe a fazer uma trouxinha com os cueiros e mantas, transformando o bebê em um pequeno casulo super protegido e aconchegado. Mas esse era o jeito “antigo”, pois já não seguimos mais a lógica de conter o bebê, e sim o deixamos livre para se movimentar.

O resultado são crianças espertíssimas, que se sustentam em pé com pouco mais de seis meses, andam rápido, assistem DVDs educativos com a maior atenção do mundo, aprendem a se comunicar muito mais cedo que nós e todas as gerações que nos antecederam. Todas as titias, vovós e bisavós se espantam: “nossa, como esse(a) menino(a) é esperto(a)! No meu tempo não era assim!”

Não cabe criticar ou questionar – esse é o espírito do tempo, e temos que lidar com a realidade, seja ela como for. Mas não consigo evitar, fico pensando: será que a atual “epidemia” de crianças hiperativas tem relação com essa quantidade de estímulos que nossos bebês recebem desde tão cedo? Estamos estimulando ou estressando toda uma geração? A conferir.

-Monix-

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3 Respostas

  1. Hummmm…. dilema tostines!

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  2. Monix, tenho absoluta certeza de que sim. A hiperatividade é uma característica da síndrome de déficit de atenção que, por sua vez, não se caracteriza pela dificuldade de prestar atenção mas pela habildade de prestar atenção em tudo, o que gera a ausência de concentração. Essas crianças são adaptadas ao admirável mundo novo. Vinte e cinco janelas abertas no computador, som, tv, tudo ao mesmo tempo agora. É bom? É ruim? Sei lá… simplesmente é… O espécime aqui de casa é um desses… legítimo representante da geração não paro um minuto, porque a minha cabeça não para um segundo. Bjs.

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  3. Vejo ultimamente uma certa ‘volta aos velhos tempos’ com pediatras resolvendo a crise de choro histérica dos bebês com o bom e velho ‘charutinho de cueiros’… realmente a conferir.
    Bjs

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