Do reino encantado das férias

We’ve had.

Duas Fridas

Dia 2 – Uma sequência inicial e uma sequência final

Tinha pensado em falar sobre aberturas clássicas como “Crepúsculo dos Deuses”, “Festim Diabólico” etc. Mas seria uma escolha racional, por motivos técnicos. De verdade, me lembro com emoção da sequência inicial de “Para o Resto de Nossas Vidas” (“Peter’s Friends”), um filme que fala lindamente sobre amizade e diferentes tipos de amor, cuja abertura (além de ter em seu primeiro take um proto-doutor-House encarnado por um Hugh Laurie jovencito) resume o sentimento que eu também experimentava na época, o de estar vivendo uma fase de ouro que acabaria em breve… e o resto do filme anteciparia, para mim, o que vinha a seguir: o momento de cada um seguir seu rumo, mantendo os laços de amizade. Os créditos mostram uma compilação de tudo o que aconteceu de importante no mundo na década de 1980, aquela em que cresci e me tornei gente. Por isso, a abertura da Peter’s Friends é um pouco uma síntese daquela fase da minha vida.

Quanto à sequência final, escolhi uma que ilustra bem o tipo de conclusão que gosto de ver em um filme: aquela que amarra todas as pontas soltas, porém com um toque de surrealismo nonsense, pois a vida não é redondinha nem feita de finais felizes. Em “Queime Depois de Ler”, filme engraçadíssimo de uma dupla que gosto muito, os irmãos Coen, a cena final nos mostra uma situação em que apesar de todas as peças do quebra-cabeça terem se encaixado… a figura revelada simplesmente não fazia sentido para ninguém. Delicioso.

 

-Monix-

Constatação

Eu posso , tô considerando e provavelmente irei.

Mas eu não preciso viajar nas férias.  Porque eu moro no Rio.

Lua cheia nascendo na Lagoa

Helê

Dia 1 – Filme da Minha Vida

Estou começando hoje um meme chamado Um Mês, 31 Filmes.

Pronto, já vou começar declinando. Porque, né? A Tina Lopes inventou esse meme, eu não podia ficar de fora de jeito nenhum, mas vou ter que fazer uma (não tão) pequena adaptação. A lista dela, de 31 filmes que marcaram, pede sempre o “melhor” filme de cada categoria. Mas não dá, minha memória não é nada boa, meu sistema de ranqueamento veio com defeito de fábrica e eu simplesmente não consigo escolher o “melhor” para nada. Nem cor favorita eu tenho. Então minha ideia é substituir, por exemplo, o “melhor filme dramático” por algo como “um filme dramático de que gostei e consigo me lembrar agora”. Sem traumas.

Mas aí que o meme começa com o filme da minha vida. Simplesmente o ranking de todos os rankings, algo que, é claro, não conseguirei fazer.

Apenas para efeito ilustrativo, ou seja, para deixar a brincadeira começar, digamos que o filme da minha vida seja Casablanca. Porque foi o primeiro que me fez enxergar o Cinema por trás de um filme. O primeiro que me mostrou a técnica, tanto da narrativa quanto da direção, montagem, fotografia etc. E porque, mesmo com tudo isso, é um dos poucos que me emociona todas as vezes, mesmo que eu saiba de cor cenas, takes, diálogos. Quando todo mundo que está no Rick’s Café se levanta e começa a cantar a Marselhesa, eu choro.

-Monix-

Elegância e beleza sob medida

Nunca tinha ouvido falar em ex-libris até minha amiga Caetana trazer uma caixa deles para mim, uma versão moderna do que antes era um selo personalizado que indicava a propriedade do livro. Com a intenção de poupar o presente, transformei os meus em deferência concedida apenas aos livros especiais, aqueles dos quais não quero nunca perder o contato, embora possam passar temporadas com amigos de confiança. Pois um desses foi parar nas mãos da Anna V. – pessoa que eu gosto muito mais do que vejo -, era sobre um herói em comum, o Shackleton. Para entregá-lo, marcamos um encontro ampliado, um troca-troca de livros, espécie de swing literário, em que estiveram presentes também o Cláudio Luiz, Dedeia e La Outra. Conversa daqui, cerveja de lá, e a Anna repara no meu ex-libris, a gente concorda sobre a nobreza do conceito, lamenta o fim da tradição e segue para o próximo assunto. Mas, para a sensibilidade do artista presente, foi o suficiente. Cláudio Luiz tirou dessa conversa ligeira a ideia para presentear Monix, e voilá:

Além dos melhores leitores do mundo, tenho também os amigos mais talentosos – e Cláudio Luiz se enquadra nas duas categorias, louvado seja. Houve boatos de que já há fila de espera, mas ele aceita encomendas, viu? Vai lá: http://correioselado.blogs.sapo.pt/

Helê

Aprendi com Jane Austen

Na última vez que estive em SP, parei na livraria do aeroporto de Congonhas para procurar um presente – que não encontrei – e acabei comprando um regalo para mim, um livro que me chamou a atenção pela capa e do qual nunca tinha ouvido falar: chama-se Aprendi com Jane Austen, um romance-ensaio-autobiografia cujo subtítulo diz tudo: “como seis romances me ensinaram sobre amor, amizade e as coisas que realmente importam”.
O autor, William Deresiewicz, apresenta uma mistura de análise dos seis livros publicados por Austen com fatos de sua própria vida, mostrando como a autora inglesa foi, de fato, uma mulher à frente do seu tempo, pela forma como retratou as mudanças que iam ocorrendo na maneira como as pessoas se relacionavam.
O livro me fisgou principalmente pelo fato de ter me explicado o porquê eu gosto de Jane Austen. Dela, li Orgulho e Preconceito e Razão e Sensibilidade, e vi alguns filmes adaptados de suas obras (inclusive o delicioso As Patricinhas de Beverly Hills, que pouca gente sabe que foi inspirado no livro Emma, da autora). Mas para mim literatura é basicamente fruição, não costumo racionalizar os motivos de um livro ser bom ou ruim. O professor americano fez isso para mim. Se quiser saber também, leia. 🙂
-Monix-

20 de novembro

(via naturallymeashley)

(Do Flickr via Pinterest)

Helê

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