O pensamento vivo de M.B.I. Pinto

Manterei anônima a identidade do cidadão, que apesar da personalidade solar não gosta de se exibir. Amigo generoso, bom bebedor (pra não dizer excelente) e habilidoso contador de causos, M.Pinto é um reconhecido historiador, que me ensinou mais sobre África na mesa de bar do que anos de escola e militância.  Fomos colegas de trabalho por algum tempo e hoje mantemos a amizade, embora  em encontros esparsos. Entre suas muitas qualidades sobressai a inteligência, notável tanto nas lides acadêmicas quanto no exercício do mais legítimo humor carioca: rápido, mordaz, libidinoso, driblador. Suas inspiradas frases transformaram-se em bordões entre os amigos. Ganham mais graça quando ditas pelo próprio, que tem para cada uma delas entonação e gestual adequados. Mas mesmo assim “a seco”, por escrito, podemos perceber sua verve:

“Eu gosto de todo mundo”. Dita num tom pacificador, quase paternal, em momentos de acirramento de ânimos em questões de importância capital, como os rumos do PT, desmandos de um chefe ou  quem é mais gostosa,  Scarlett Johanson ou Penélope Cruz.

Vai que eu morro amanhã?“. De vasta aplicação: desde justificativa para ir ao bar quanto o argumento para a saideira, 5 horas e 27 chopps depois.

“Não há o que não haja”. Conclusiva. Reconfortante. Autoexplicativa. Aplaca angústias e elimina surpresas.

E a melhor, dita sempre com resignação, eventualmente com um suspiro: “Chega um momento da vida do homem…” Assim, com reticências eternas. Ouço há quase 15 anos essa constatação de algo que não sei o que é, ele nunca completou a frase. Mas na verdade não importa. Todo mundo sabe que chega um momento na vida do homem…

Essa não é dele – mas poderia…

Helê

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