Desapego

Nesta época do ano, somos todos cúmplices de uma maratona de consumo, em que o vencedor é aquele que consegue sobreviver às filas, lojas lotadas e estacionamentos impossíveis sem sucumbir ao mau humor e sem resmungar nenhuma vez contra o Natal e as festas de fim de ano. Aquilo que deveria resultar na celebração da harmonia e do afeto torna-se gerador de stress e nervosismo – quantas vezes você ouviu uma conversa ríspida entre casais ou pais e filhos nesses dias? (A gente disse ‘ríspida’ porque é phyna: não é raro presenciar verdadeiros barracos nessa época do ano).

Os mais questionadores em geral aproveitam para repensar os padrões de consumo: será que precisamos mesmo ter tantas coisas? É um momento em que temos a oportunidade de exercitar o desapego. Abrir espaço nos armários e estantes para coisas novas – tanto as materiais, que ganharemos nas inúmeras festas de Natal, amigos ocultos e confraternizações, quanto as simbólicas, que virão com o novo ano que se inicia logo em seguida.

É necessário conjugar dessa maneira composta, ‘exercitar o desapego’. Desapegar, assim puro e sem gelo, não dá – talvez só o Dalai Lama consiga (os outros budistas todos passam a vida tentando). Precisamos de um verbo para auxiliar porque assim temos a medida de que de que se trata de uma tentativa e também de uma ação que deve ser frequente, persistente. Apego tem a ver com o que nos é familiar e confortável, difícil de deixar, e são muitas as armadilhas que criamos para permanecer igual, mesmo que pareça que estamos mudando. Como na nova e divertida propaganda de TV da OLX:

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Desapegar-se é uma arte. Deparamos-nos com partes de nosso passado e nem sempre é fácil deixá-las seguir em frente. Uma boa maneira de despistar a angústia pode ser  diluí-la num momento descontraído. Nosotras gostamos de fazer, periodicamente, bazares de troca-troca com as amigas, para que aquelas  roupas que já não satisfazem mais nossa eterna necessidade de coisas novas possam ir passear em outros armários. Pretexto para o encontro em meio às agendas sempre assoberbadas, nos bazares ocasiões colocamos os assuntos em dia, lamentamos ou comemoramos as mudanças físicas de cada uma e temos o alento de ver aquela roupa favorita que já não cabe ir morar com alguém querido.  Tem quem faça doações. Quem pensa em faturar com a renovação do armário, vai em busca de compradores, e como não temos aqui a tradição das garage sales, a internet torna-se a melhor opção.  O importante é deixar vir o novo. Em todos os sentidos.

Duas Fridas

Este é um post patrocinado pela OLX, que está lançando uma campanha muito bacana com o mote “Desapego”.

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Segunda-feira

(Observando)

Helê

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