Dia Internacional da Nova Atitude

Vi no Facebook um “manifesto” (na falta de palavra melhor) das Blogueiras Feministas sobre o Dia Internacional da Mulher. O texto, elaborado pela Cynthia Semíramis,  aborda pontos como mercado de trabalho, política, violência doméstica, violência sexual, maternidade e sexualidade e, no fim, apresenta um teste com a pergunta: você é feminista?

Como todo o respeito que tenho à Cynthia (e sim, tenho um grande respeito por ela), acho que o questionário não é uma ferramenta muito eficiente para “testar” o feminismo de alguém. Acho que hoje a maioria das pessoas de bom senso (num determinado nível de “esclarecimento”) não daria nenhum resposta diferente de “sim”. O que não significa que sejam todos feministas de carteirinha.

Teste: você é feminista?

1. Você concorda que uma mulher deve receber o mesmo valor que um homem para realizar o mesmo trabalho?
2. Você concorda que mulheres devem ter direito a votarem e serem votadas?
3. Você concorda que mulheres devem ser as únicas responsáveis pela escolha da profissão, e que essa decisão não pode ser imposta pelo Estado, pela escola nem pela família?
4. Você concorda que mulheres devem receber a mesma educação escolar que os homens?
5. Você concorda que cuidar das crianças seja uma obrigação de ambos os pais?
6. Você concorda que mulheres devem ter autonomia para gerenciar seu dinheiro e seus bens?
7. Você concorda que mulheres devem escolher se, e quando, se tornarão mães?
8. Você concorda que uma mulher não pode sofrer violência física ou psicológica por se recusar a fazer sexo ou a obedecer ao pai ou marido?
9. Você concorda que atividades domésticas são de responsabilidade dos moradores da casa, sejam eles homens ou mulheres?
10. Você concorda que mulheres não podem ser espancadas ou mortas por não quererem continuar em um relacionamento afetivo?

Fonte: Cynthia Semíramis

Acho que muitos conceitos do feminismo são, em geral, bem aceitos, salvo exceções que beiram o grotesco. (Pelo menos no plano do que é aceitável se dizer ou não em público.) O que precisamos agora é mudar atitudes. Inclusive as nossas. O difícil na superação de preconceitos é conseguir mudar comportamentos e reações instintivas que todos nós temos, sejamos contra ou a favor, ou muito antes pelo contrário.

Fonte

Por isso, pensei em propor outro teste, mais focado no que fazemos, e não em como pensamos.

Teste: você é feminista?

1. Na sua renda familiar, quem contribui mais, o homem ou a mulher? Caso seja a mulher, isso gera algum desconforto para algum dos dois ou para a família?
2. Você acha que mulheres em posição de poder (como nossa presidenta, ministras e outras ocupantes de cargos públicos) são mais “agressivas”, ou que abriram mão da vida pessoal e do papel de mãe para “subirem na vida”?
3. O que você sentiria se sua filha quisesse ser jogadora de futebol? E se seu filho quisesse ser bailarino?
4. Você acha que mulheres têm mais jeito para letras e homens têm mais jeito para números? Como essa percepção influenciou sua escolha de carreira?
5. Na sua casa, quem foi/é responsável por trocar as fraldas do bebê? Quem participa das reuniões na escola? Quem compra o material escolar na papelaria?
6. Quem é responsável pelo planejamento financeiro da sua família, o homem ou a mulher? No nome de quem estão o apartamento e o automóvel, se houver?
7. Como você se sente em relação a mulheres que optam por não casar e/ou não ter filhos? Considera que são solitárias ou “mal amadas”? Torce para que elas encontrem um “amor verdadeiro” e que consigam um dia realizar o “sonho de ser mãe”?
8. O que você pensaria se soubesse que um casal amigo se separou pois a mulher não tinha mais vontade de fazer sexo com o marido? Atribuiria a quem a “culpa” pelo fim do relacionamento?
9. Na sua casa, quem repara que o chão precisa ser varrido? Quem troca os lençóis da cama? Quem põe a roupa para lavar?
10. Se você tivesse conhecimento de uma situação de violência contra uma mulher conhecida, seria capaz de denunciar o agressor?
Pergunta bônus: quando sua família sai de carro, quem dirige?

Esse não é um questionário para ser respondido com simples “sim” ou “não”. Não há respostas certas ou erradas. Vamos pensar junt@s nas atitudes que ainda precisamos mudar, pois só assim, na minha opinião, conseguiremos entender o caminho que ainda falta ser percorrido. Isso é só o começo. Feliz Dia da Mulher para todos nós.

-Monix-

Update: Historinha contada hoje de manhã pela Barbara Gancia, na rádio BandNews. Ela disse que uma vez foi fazer uma matéria no Vidigal, após a expulsão de um grupo de traficantes que dominava a comunidade, e que descobriu que o número de mulheres espancadas tinha aumentado muito, pois os traficantes proibiam e com a saída deles, a situação recrudesceu. Ela contou que a explicação do tenente da PM foi: “mas também, as mulheres saem por aí seminuas, aí dá nisso”. E ela respondeu: “claro, tenente, por isso que o senhor tá aí todo coberto, né? Assim não apanha!” 🙂

 

 

 

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17 Respostas

  1. Pois é, o discurso tá dominado. Ou por outra, “a lição sabemos de cor, só nos resta aprender”. Arrasou, Sócia.
    Helê

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  2. Adorei o post e as novas perguntas. Nos fazem refletir bastante!

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  3. Concordo plenamente! É uma questão complicada, são comportamentos muito arraigados. Post excelente, Monix. Eu implico solenemente com esse dia da mulher, prá mim todo dia é dia, mas compreendo que no momento em que foi criado serviu como uma ferramenta de conscientização. Mas prá mim a grande ferramenta tá na mão das mulheres: criar filhos que respeitem mulheres.

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    • Provocação, Clarissa: na mão das mulheres e dos homens, né? Esses filhos não têm pai? 😉 Beijos, Monix

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      • Mas com os dois pés firmes no chão, sem pensar no ideal, quem tá ali no dia a dia é a mãe…talvez algum dia todos os pais participarão igualmente, mas hoje em dia, mãe é que fala “vai escovar os dentes” e todo o resto. A influência dia a dia é materna, ainda. Talvez seja diferente na Suécia, Holanda, etc. mas no resto do mundo, pai é bem mais ausente. É claro que o exemplo do pai, como ele trata as mulheres, é vital. Mas aquela conversa que dura anos, dia após dia, explicando isso, falando daquilo, ainda é mais com a mamãe… Ou estou enganada? E o mundo evoluiu? E eu não vi?

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      • Clarissa, você está certa, eu só estou dando uma cutucada 🙂

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  4. Realmente, as perguntas do primeiro questionário estão bem obsoletas… rs
    Já o segundo é totalmente atual e realista.
    Confesso que tive que reaprender a ser “mulherzinha” no meu segundo casamento, por ter um marido totalmente romântico, que quer sempre me buscar no trabalho e vive me enchendo de mimos… rs
    Mas sempre fui responsável pelo gerenciamento das contas da casa (não necessariamente o pagamento de todas elas…rs), tenho um marido super participativo na vida do nosso filhote e, respondendo à pergunta bônus, não faço a menor questão de dirigir!!! rs

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  5. Sensacional o seu questionario, Monix. Como a Clarissa, tambem implico com esse dia da mulher. Aqui nos EUA mal se ouve falar dele. Ao contrario da Clarissa, acho que a ferramenta deve estar nas maos de quem educa, seja homem ou mulher.

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  6. 1 – A mulher (eu). Não.
    2 – De jeito nenhum.
    3 – Não gostaria que nenhum dos dois fosse jogador de futebol, e acharia lindo qualquer um dos dois ser bailarino, mas seria duro acompanhar as apresentações amadoras até eles virarem bons, viu?
    4 – Não. Eu sou jornalista, mas me entendo bem com os números, não teria problema com outra carreira.
    5 – Eu, eu e eu.
    6 – A mulher. Tudo no meu nome, o apartamento (e o IPTU, as contas de luz…), o meu carro e o do Gui! Ou seja, as multas também vêm sempre no meu nome!
    7 – Se não casar foi opção, não é falta de amor, e se não ter filhos foi opção, ser mãe não é um sonho delas.
    8 – Não é culpa de nenhum deles.
    9 – A empregada.
    10 – Ai, não sei se teria medo. Mas acho que sim.
    Bônus: Quase sempre eu.
    Que “nota” eu tirei?

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  7. […] no reconhecimento de uma série de direitos. Algumas escreveram sobre ser mulher, outras, sobre ser feminista. Teve homem falando do próprio machismo, também. E muitas mulheres reclamaram que não querem […]

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  8. 1- Eu contribuo mais. Mas estou só esperando ela ficar rica para eu largar o trabalho…
    2- Em muitos casos, acho sim, e lamento muito, sem culpá-las, mas às situações que podem tê-las forçado a agir assim.
    3- “Vai lá, vai fundo!”
    4- Bem, eu tenho mais jeito para letras…
    5- Fraldas, ambos. Reuniões na escola, ambos. Papelaria – ela, que eu sou todo enrolado com isso.
    6- Quem planeja é ela, e reclama que eu participo pouco. Ap e carro no meu nome – mas o último carro estava no nome dela, e olha que ela nem sabia dirigir!
    7- Bem, se forem mulheres extremamente antipáticas, eu vou mesmo achar que faltou casar para aprender a conviver – porque casamento ensina… Nos outros casos, não é da minha conta, não é mesmo?
    8- Aí é que não é da minha conta mesmo!
    9- Chão: ela. Lençóis: meio a meio. Lavar: minha responsabilidade.
    10- Uai, claro! Meu Deus…
    Brinde: Eu. Ela não gosta, eu gosto.

    Relendo, acho que vão me achar machista por algumas respostas (2 e 7, principalmente). Mas acho que não dá pra fingir que o mundo é feminista, mesmo que eu seja, e nem que ser feminista faz a pessoa ser legal automaticamente. Pelo menos eu fui sincero… Abraços, Fridas.

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  9. oi!

    no caso de mulheres casadas com mulheres (é o meu), *comofas* pra responder o segundo questionário?

    um abraço, e parabéns pelo blog.

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    • Angélica, é uma boa pergunta…
      Pensei nessas perguntas muito em função de tornar as questões do feminismo menos “discurso” e mais “prática”. E aí cada um tem a sua realidade. As perguntas também não servem para mulheres solteiras. Se você topar o desafio, que tal adaptar algumas perguntas e nos contar como seriam? 🙂
      Bjs, Monix

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  10. Tarefas domésticas: me choco muito em ver pessoas novas, com 24, 25 anos, sobretudo mulheres, com discurso conformista do tipo “homem não repara em chão. “homem não lava a louça”. Gente, é pra dividir. Se o cara não repara em chão e vc se incomoda, vc fica com a vassoura e ele com a louça, por exemplo. Lá em casa, dividimos assim:

    Louça: ele
    Lavar roupa: ele
    Compras de comida: ele e um pouco eu.
    Cozinhar: varia, é de época. Os dois é o mais justo.
    Varrer: eu
    Limpar a areia das gatas: eu e um pouco ele.
    Passar: acaba sobrando pra mim, mas de vez em quando ele faz.
    Roupa de cama e toalhas: bom, acabo eu fazendo, mas pq sou muito chata. Se pega uma toalha q eu acho q não combina, eu trocaria. 😛

    Acho q no final das contas, eu acabo ficando com um pouco mais. Mas no geral é quase q 50% a 50%.

    Pq acho q é assim tb, ne: se é pra dividir, tem q aceitar o q o outro faz. Nada de ficar pentelhando. Já vi muita mulher com esse discurso tb. E não, não pode. O cara não é teu empregado, ele faz de acordo com o gosto dele e cabô. Certo, gente?

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