Toca Raul

Não me considero uma grande fã de Raul Seixas, mas em sendo da geração dos “filhos da Revolução” cresci ouvindo suas músicas e assistindo a cada nova estreia de seus proto-videoclipes no Fantástico.

Talvez justamente por ter acompanhado cada lançamento ainda com pouca idade, só fui entendendo cada uma de suas músicas com o tempo. Então minha relação com a obra de Raul Seixas é bem interessante – porque o descubro aos poucos, e a cada nova face que se revela, gosto mais um pouquinho. Como Caetano Veloso, me deslumbro com a poesia de Ouro de Tolo. E também com a beleza de A Maçã, com o hermetismo de Gitã, com a graça de Mosca na Sopa.

Na minha opinião, ele tem pelo menos duas canções geniais, e ambas trazem verdades que “por terem sempre estado ocultas quando terão sido o óbvio” rapidamente se tornaram quase-bordões. Hoje não é mais preciso saber quem foi Raul Seixas para se dizer uma “metamorfose ambulante” ou um “maluco beleza”.

E vejam só, que em seu depoimento ao filme Raul – o Início, o Fim e Meio Paulo Coelho diz que gostaria de ter sido parceiro de Raul justamente nestas duas composições: Metamorfose Ambulante e Maluco Beleza. Aliás, a presença de Paulo Coelho é uma das âncoras do documentário. Carismático, generoso com o antigo parceiro, ele nos aproxima um pouco do que devem ter sido aqueles anos loucos. Em determinado momento, surge uma mosca, que ele carinhosamente espanta chamando-a de “Raul”. Mas depois não se contém, e o que acontece não conto pois vocês precisam ver.

-Monix-

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