Bye, Greg

House se aproxima do fim e eu aguardo ansiosa, torcendo para que termine à altura do fascinante personagem criado por David Shore, brilhantemente interpretado por Hugh Laurie. Sentirei muitas saudades desse crápula charmoso, mas é o que se pode esperar, depois de oito temporadas.

Sou uma veterana nesse tipo de programa: acompanhei finais históricos como os de Friends, Seinfield, e Sex and the City , além de outros menos famosos mas igualmente bacanas como Will & Grace, Brothers & Sisters e Os anos Incríveis. E aprendi que, mais doloroso que o fim, é ver uma boa série virar um pastiche de si mesma. Em geral, na 3ª temporada a série atinge a maturidade: já existe certa familiaridade com os personagens, mas ainda é possível surpreender, divertir e emocionar. Poucas conseguem chegar à quinta mantendo o interesse; na sétima já forçam a barra.

Amo House desde sempre, vocês sabem, desde que este blogue era laranja e antes do programa ter sido o mais visto no mundo. Mas, seguindo a ordem natural dos seriados, perdeu fôlego com o tempo. Nas duas primeiras temporadas, esse doutor genial e intratável fascinou a audiência – além de nos alarmar com uma quantidade inimaginável de doenças bizarras. Depois, os responsáveis pela série realizaram um exercício ousado: após demarcar com firmeza os contornos do personagem, foram retirando dele características que o definiam para observar o que sobrava.  O médico manco, solitário, viciado, misantropo, voltou a andar em uma das temporadas, na outra reencontrou a ex-mulher, depois brigou com o único amigo, deixou o vício e por fim se apaixonou. O começo das temporadas sempre trazia uma pergunta: quem é House sem a bengala? E sem Vicodin? E sem Wilson? Quem é House apaixonado? O mais incrível é que a todas ele resistiu e continuou a ser Gregory House.

Outra estratégia dos roteiristas foi criar oponentes para o protagonista. Alguns foram episódicos, outros permaneceram por quase toda uma ‘season’, como um diretor do hospital, Vogler. Nem todos funcionaram – o policial que o perseguiu era chatíssimo; o melhor de todos foi o psiquiatra vivido por Andre Braugher, o único que parecia realmente à altura de House e que conseguiu dobrá-lo no memorável episódio “Broken”, talvez o melhor da série. Nesse especial que abriu a sexta temporada, House está internado num manicômio, curando-se do vício, e vai ao inferno. Tem atitudes absurdas, sofre feito um cão e por isso fica mais humano, frágil e vulnerável como nunca. Exceto pela temporada seguinte, quando finalmente vive um romance com Cuddy. Aliás, quanto mais vulnerável House, maior a maestria de Hugh Laurie: nessas situações ele demonstra todo o seu talento, entregando todo o desespero do personagem com apenas um olhar ou uma respiração fora do compasso.

Esse clip mostra alguns desses momentos: 

Na série como na vida “irreal”, o maior problema de House é House, um personagem extraordinário, coerente dentro do caos de sua lógica, que nos intriga, exaspera e, no último minuto, encanta. Mas nenhuma série vive de um único personagem, por mais fantástico que ele seja.  As tramas paralelas nunca empolgaram realmente. Cameron e Chase talvez, Foreman e Thirteen em alguns momentos, Taub e suas mulheres nunca. Nas últimas temporadas, sobretudo na oitava, os roteiristas estão repetindo situações, casos e até personagem: a Park de agora é apenas uma reencarnação da outra estudante CDF esquisita, a Masters da temporada 7.

Embora o programa já tivesse enfraquecido, teria sido excelente se terminasse na temporada passada, com House confirmando sua inabilidade para o amor ou superando a si mesmo e a todas as expectativas. Mas não o fizeram, e com a inesperada saída de Lisa Edelstein, nunca saberemos se eles teriam conseguido ficar juntos.  Como de costume, a 8ª temporada teve um excelente começo, com o médico preso, mas durou apenas um capítulo. Logo ele estava solto e sem freio, como o House lá do começo, praticamente sem limites, fazendo tudo aquilo que já o vimos fazer.

Então quando o fim se confirmou eu não lamentei verdadeiramente, porque a série já deu o que tinha que dar. E reconhecer o fim o torna mais palatável, por incrível que pareça. Como disse no início, desejo apenas que os roteiristas se despeçam com a excelência que cabe a esse personagem que nós odiamos amar.

Helê

A Fal é Pop

Prólogo
Precisava comprar dois presentes de aniversário. Achei que o “Sonhei
seria um bom presente (mas não li ainda, o meu só no lançamento) e fui à Saraiva do Escada Shopping.

 

Cena 1
No caixa. A mocinha que registrava não se conteve: esse livro é muito
bom! Tenho um amigo que dá aula de interpretação de texto e quando ele leu esse texto de abertura foi emocionante. (E eu: a autora é minha
amiga.)

Cena 2
No setor de embalagens. A embrulhadora de presentes comenta: “Sonhei que a Neve Fervia”, que título legal, gostei. (E eu: a autora é minha amiga.)

Cena 3
Chega uma vendedora: a pessoa que vai ganhar o presente não é de
chorar muito não, né? Eu li o outro livro dela e é maravilhoso, super
emocionante. (E eu: a autora é minha amiga.)

Pano rápido.

-Monix-

O lançamento do livro em São Paulo foi esta noite. Quem viu, viu. No Rio, será na quinta-feira, dia 17 de maio, na Livraria Prefácio, em Botafogo. Quem viver, verá.

Da série “Carinho todo mundo quer”

(Source: lisashaz39, via islademaria)

Helê

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