Viva São Pedro!

E dá uma força pra gente: estoura a bolha, Pedrão!

Helê

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Perfeição

Ninguém é perfeito, diz o ditado. Mas eu sou da geração que se encantou com Nadia Comaneci, a pequena romena que em plena Guerra Fria conseguiu encantar plateias dos dois lados da Cortina de Ferro com seus movimentos… perfeitos.

Por isso, é impossível não me comover quando revejo cenas como a deste comercial da Visa. Vale até interromper nossa programação normal para passar um breve comercial gratuito. Emocionante.

 

 

-Monix-

Um minuto de silêncio por Nora Ephron

Um King a menos

Soube da morte de Rodney King poucas horas depois, vendo essa foto no tumbrl. Logo naveguei procurando informações, mas àquela altura eram poucas. Mesmo hoje não há muito a dizer sobre a causa: faltam exames e trâmites que só saem rapidamente nas minisséries e filmes. Sequer houve o funeral (nunca entendi essa demora americana para sepultar seus mortos).

Difícil avaliar a repercussão da morte de Rodney King nos EUA. Ainda que eu tenha procurado e lido on line sobre o assunto, é como analisar a importância de um artigo recortado pelo clipping: carece de contextos. No Brasil foi pífia, mas o que esperar da cobertura internacional em geral medíocre e feita na base do copiar & colar?
Depois do lançamento do brilhante “Malcolm X” de Spike Lee – que utilizou as cenas do espancamento de Rodney na abertura do filme, causando controvérsia – só fui saber do ex-taxista tornado ativista muitos anos depois, em 2009, acho, num programa de tevê bizarro, uma espécie de BBB Rehab: mostrava o dia a dia numa clínica de desintoxicação em Los Angeles, que recebia ex-famosos e subcelebridades. Foi quando soube que Rodney King lutou durante toda a vida contra o alcoolismo. Aparentava mais idade do que tinha, já havia perdido o viço, mas ainda era um belo homem cuja gentileza com os outros pacientes chamava atenção. Numa definição que li mais de uma vez no dia de sua morte, ele de fato parecia ser “a kind man with a tortured soul”. Torci para que ele se recuperasse e encontrasse paz de espírito; era evidente que a notoriedade lhe tirara tanto ou mais do que havia lhe dado.

Talvez não haja mesmo muito mais a ser dito sobre esse homem comum, com sobrenome de rei, que conquistou fama indesejada aos 25 anos por ser brutalmente espancado pela polícia, e morreu aos 47 no fundo da piscina de sua casa. Mas não consigo evitar a tristeza e a sensação de que podíamos ter feito mais, ou feito melhor. O ataque sofrido por King (filmado num mundo ainda pré-YouTube) mudou a atuação da polícia de Los Angeles e a discussão racial na América, dizem os jornais. No entanto, deixou ou agravou nele problemas que não puderam ser resolvidos – a despeito de terem sido vividos, em grande parte, sob a luz de flashs e câmeras. O que me leva a pensar que, sem abandonar as trincheiras do combate ao racismo, precisamos também lidar com as feridas e sequelas da batalha, minimizar cicatrizes e amparar melhor vítimas e combatentes.

(1ª foto sonofafieldnegro  e 2ª queennubian)

Helê

Às vezes

Eu tenho 43 anos e isso me assusta, às vezes. Outras, nem tanto. Quando assusta muito eu paro de arredondar e corrijo para o 42, que é o certo.

*

Os programas de bicho na tevê me acalmam – mas só os tradicionais. Há uma nova safra, de caçadores, encantadores e domadores em que o que há de mais selvagem é o ego deles. Os da antiga escola costumam ter um narrador oculto, com voz pausada para descrever belas cenas. Têm um ritmo lento e seguro que atrai sua atenção, como um professor dedicado ao que ensina, quer você tenha ou não interesse – e você acaba tendo. São excelente companhia, esses programas.

*

Sim , eu deixo a tevê ligada para me fazer companhia. Confesso com alguma vergonha porque sempre achei isso um horror – gasta luz, é um hábito bobo, incapacidade para o silêncio, etcetera e tal. Dane-se, tenho 43 anos e às vezes eu moro muito sozinha.

Helê

Nos Bares da Vida

Me lembro que há anos e anos atrás, quando começou o processo de sofisticar a gastronomia carioca, dizíamos que estava rolando uma “paulistanização” dos botecos cariocas. Aos poucos, os botequins tradicionais foram fechando ou sendo reformados, ficando todos muito chiques. E mesmo eu, que nunca fui de beber e nem frequento botequins, lamentava a descaracterização de parte importante do patrimônio afetivo da cidade.

***

Minha melhor amiga da faculdade inventou, quando éramos recém-casadas e tínhamos todas as noites livres, um projeto divertidíssimo que consistia em ir ao maior número possível de botecos ao longo de um ano. E eu, que não sou de beber, acompanhei e me diverti e me senti muito à vontade em bares da Zona Sul, do Centro e de todo canto.

***

Vai daí que hoje à noite tínhamos combinado, nosotras e duas amigas queridas, um encontro na champanharia de Botafogo, tirando onda de chiques e sofisticadas. Só que chegamos lá e a fila tinha umas 50 pessoas na nossa frente. Quer dizer… nem pensar.

Então, para não perder a viagem, propus que mudássemos de planos e fomos a um boteco responsa* bem ali em frente ao final da Bambina, no encontro com a Marquês de Olinda. Um bar que fica num sobrado antigo, que não tem nem nome na placa, e que sempre tive curiosidade de conhecer. E vejam só que coisa, eu que não sou de beber estou escrevendo com sei lá quantas cervejas na ideia. Cervejas de garrafa. Acompanhadas de petiscos diversos (sem cardápio), e de um papo divertido, daqueles que só um bom botequim pode proporcionar. Hic!

-Monix-

* <carioca mode on>

Se é que vocês me entendem

(Source: cidade-fria, via just-b-r-eathe)

Helê

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