A louca do feriadão

Para o resto do Brasil, hoje é parte de um feriadão emendado. Para mim, é uma sexta-feira particularmente legal, porque ficou espremida entre uma semana curtinha e um feriado. Eu não sei o que é um feriadão há uns quinze anos, e hoje em dia confesso que acho até engraçado, quando vai se aproximando uma semana como esta, ver as pessoas fazendo planos e perguntando “e aí, vai viajar?”

Eu nunca viajo num feriadão. Não tenho (nem minha família nunca teve) casa de praia, de veraneio. Ou seja. Vai tentar fazer uma reserva em pousada ou quitinete numa semana de feriadão. Como não estou disposta a vender um rim para pagar uma diária, dispenso. Outra coisa que me desanima é pensar no trânsito e na multidão de pessoas indo na mesma direção. Aprendi recentemente com a Fal uma lição importante sobre mim mesma: eu gosto de pessoas, mas não gosto muito de gente. Se uma fila de duas horas para comer batata frita engordurada no Outback já me tira do sério, imaginem se vou ficar cinco horas engarrafada num carro cheio de gente para chegar em qualquer lugar onde supostamente eu deveria estar indo para… descansar.

(Uma vez, no longínquo carnaval de 1991 (ou 1990?), fui com um grupo de amigos da faculdade para Rio das Ostras. Saímos às cinco da manhã do sábado, para garantir uma viagem tranquila. Pegamos a ponte Rio-Niterói ainda com a noite fechada, animadíssimos, certos de que tudo sairia conforme o plano. Às onze da manhã, não estávamos nem na metade do caminho, o calor insuportável, não tínhamos nem uma garrafinha de água para aliviar, e mesmo que tivéssemos, depois íamos ter que fazer um pipi-stop, sendo que, aonde? Enfim. Demos meia volta e passamos o resto do dia na praia da Joatinga. Foi a última vez que me meti voluntariamente numa situação dessas.)

Entre 1996 e 2001, trabalhei em TV e aí não tinha moleza… Fazíamos plantão nos feriados, e não me lembro de ter folgado em nenhum dos carnavais, páscoas e corpus christis* enquanto estive lá. Muito pelo contrário – em 2001, fui contratada como frila duas vezes: da primeira, comecei o trabalho no dia 1º de janeiro às sete da manhã; da segunda, fui chamada justamente para cobrir o carnaval.

Hoje em dia trabalho em uma empresa e portanto não preciso trabalhar durante o feriado – e só isso, para mim, já é lucro. É claro que quando dá para emendar uma folga a casa agradece, mas na maioria das vezes essa hipótese nem passa pela minha cabeça. O que é bem estranho, pois tenho certeza que vim ao mundo a passeio e estou bem longe de ser uma workaholic. Durma-se com um barulho desses.

-Monix-

* Para ser totalmente honesta, folguei sim. Por acaso, justamente numa semana de Corpus Christi, e fui para Buenos Aires com um grupo de amigos. No dia que chegamos, houve um incêndio no aeroporto e corremos o risco de ter que adiar a volta. A CDF aqui, em vez de torcer por essa hipótese, já entrou logo em pânico com a possibilidade de ter que ligar para a chefe com a desculpa mais mirabolante de todos os tempos… sendo que seria a pura verdade. No fim das contas, encaramos uma espera de muitas horas na sala de embarque, mas conseguimos voltar, feliz ou infelizmente (até hoje não sei).

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