Às vezes

Eu tenho 43 anos e isso me assusta, às vezes. Outras, nem tanto. Quando assusta muito eu paro de arredondar e corrijo para o 42, que é o certo.

*

Os programas de bicho na tevê me acalmam – mas só os tradicionais. Há uma nova safra, de caçadores, encantadores e domadores em que o que há de mais selvagem é o ego deles. Os da antiga escola costumam ter um narrador oculto, com voz pausada para descrever belas cenas. Têm um ritmo lento e seguro que atrai sua atenção, como um professor dedicado ao que ensina, quer você tenha ou não interesse – e você acaba tendo. São excelente companhia, esses programas.

*

Sim , eu deixo a tevê ligada para me fazer companhia. Confesso com alguma vergonha porque sempre achei isso um horror – gasta luz, é um hábito bobo, incapacidade para o silêncio, etcetera e tal. Dane-se, tenho 43 anos e às vezes eu moro muito sozinha.

Helê
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20 Respostas

  1. Televisão ligada rules, mana. O pessoal que torce o nariz tá onde? Aqui? Não, aqui eu tou sozinha. Então, danem-se.
    Liamo. Tipo, muito.

    Eu também, Bi.
    Beijo,
    Helê,

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  2. Isso mesmo, concordo com a Fal. Também adoro esses programas de bicho tradicionais. Pena que estejam tão difíceis de achar. Ah, adoro a sua companhia no Song Pop e adoro televisão ligada pra fazer companhia 😉

    Achei um desses outro dia, Seal, sobre aqueles gorilões lindos nas montanhas de Uganda. Foi ele, aliás, que inspirou parte do post.
    Sobre o Song Pop, bem vc tá adorando a surra que está me dano, né, haha! Mesmo apanhando, eu tb tÔ curtindo.
    Beijo,
    Helê

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    • Que nada, hahaha, eu adoro porque a gente embalou ontem, né? É muito bom esse ping pong! Eu gosto desse joguinho porque vou aprendendo com ele. Beijão!

      Eu tb, meu maior objetivo é comprar a lista de MPB, quando serei imbatível (Huahauahauahau- risada malévola!)
      Helê

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  3. Você não foi filha única né? Se fosse, acharia perfeitamente normal ter a TV como companhia.

    Não, Andréa, eu cresci vendo teve com um irmão. 🙂
    Volte sempre, a casa é nossa.
    Helê

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  4. Às vezes (quase sempre.rsrs) eu falo sozinho, mas uma amiga minha disse-me que é porque eu gosto de falar com pessoas inteligentes, (Qta modéstia).

    Às vezes acho que ainda tenho 20 e poucos anos, mas rapidamentte meu corpo me lembra que não.

    Às vezes todo mundo senti o mesmo sintoma, às vezes!

    Bjs.

    Beijo, Dudu; obrigada.
    Helê

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  5. Só fui me ligar em TV lá pelo fim da adolescência, mesmo sendo filha única. E depois só na licença maternidade. Mas de uns tempos pra cá dei de ligar a TV enquanto trabalho de madrugada, pode? Acho que é pra distrair o sono e para ter uma companhia na solidão do trabalho. Tem dado certo, então o que importa? Bjs

    Pois é, deve ser o superego ou seja lá como chama esse canto repressor da minha mente, Tâmara. Ainda bem que leitores e amigos vêm me salvar dele. Às vezes 🙂 Obrigada, querida.
    Beijo,
    Helê

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  6. Eu acho TV ligada uma boa companhia! Será que por que tenho 40?!?! rs… Relaxa, somos muitos nesse “cluster” 😉

    Hahahahahahaham adorei a atualização do tema :-D!
    beijo,
    Helê

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  7. Hele, eu vou fazer 47 esse ano, isso me assusta a maior parte do tempo. Como o andré, eu tb às vezes acho que tenho 20 (e tantos), e meu corpo sempre é tremendamente cruel e eficiente pra me lembrar que não, que esse tempo passou… há 20 anos.
    Também adoro tv ligada quando estou sozinha em casa. Lamento demais da conta não estar quase nunca sozinha em casa, acho que é meu sonho de consumo mais recorrente.
    Programa de bicho na tv? Adoro. Mas só esses mesmos aí de que vc também gosta, tradicionais. O resto me cansaaaa.

    Eu até dou uma olhada nos outros, Ana, mas é isso, cansa. Com o tempo eu descobri que era isso, os caras estão em primeiro plano, não os bichos ou o lugar. Mas inda acho aqui e ali uns das antigas.
    beijo,
    Helê

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  8. Não gosto de tv ligada. Outro dia tentei relaxar vendo uns bichinhos nadando e crau, veio um crocodilo do nada e o controle engatou, foi uma matança danada. Tenho que parar é com a mania de arrendondar pra 42. Bjk.

    Acho que arredondo pra ter essa margem mesmo, quando achar que tá muito ruim eu vejo que tá só ruim. Pode internar, eu sei.
    Beijos,
    Helê

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  9. Tenho mais de 60. Aí arredondo para 40. Aí penso que tenho 20. Acho que vou nascer qualquer dias desses. Melhor desligar a TV. Ou seria o rádio?
    Well, I’m almost sixty-four.

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  10. Quando eu morava sozinha, chegava em casa à noite e ligava a tv na sala e o rádio no quarto. Muito silêncio amplia a sensação de solidão.

    Eu tenho 40, exatos. Não tenho pra onde arredondar.

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  11. gostei do ‘às vezes moro muito sozinha’… é exatamente assim que me sinto às vezes..

    Obrigada, Marciana.
    beijo,
    Helê

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  12. Tenho 46 e meio mas no meu coração terei sempre 20.Eu me assusto quando me olho no espelho e não gosto mais de tirar foto. é sempre uma estranha que me olha de volta.

    Interessante, Kathia, essa sensação eu não tenho – só às vezes 🙂 Mas pensando aqui agora, provocadapelo seu comentário, meu susto passa menos pela aparência física – embora eu tenha minhas queixas – e mais pela perspectiva do tempo mesmo, as coisas que deixei de fazer e as que ainda poderei realizar. No meu caso passa mais por ai.
    Beijo,
    Helê

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  13. Eu estou nos 34, mas desde que moro sozinha (um par de dias, como se diz), tenho a TV por companhia. Não é sempre, porque também converso muito com os gatos. Alguém aí em cima disse que fala sozinho. Pensei: “Falo com gatos. Serei caso perdido?” 🙂
    Adoro o blog!!!
    Bju!
    Mel

    Obrigada, Mel, adorei seu comentário 😉
    Não, você não é um caso perdido. Qualquer hora dessas eu conto num posto o quanto eu canto na rua com headphone – e aí vc verá o que é um caso definitivamente perdido, hahahahahaha!
    Beijo,
    Helê

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  14. Eu tenho 19 e vou continuar tendo. Já a idade que o meu corpo tem é problema dele.

    O corpo, esse insubordinado! Humpf! 😀
    Beijo,
    Helê

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  15. Gostei… do post e comentários, quem não tem cão… exatamente…
    caça com gato(s), ao chegar em casa, (eram 3 persas) agora infelizmente 2,
    são dóceis, companheiros, muito domésticos mesmo!
    abençôos, faco-lhes pequenos carinhos eles saem se balançando
    satisfeitos da vida!!! meus filhinhos.
    Sabem aquele comercial

    “Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem! Eu também quero fazer isto por ela!…”
    De fato, uma troca, quem possui sabe a dimensão de desejar e ser desejado
    sem cobranças, ‘só pelo fato da presença’ é incomensurável!

    Ou então no filme “Shirley Valentine”, síndrome do ninho vazio – filhos e maridos ingratos? – pois bem… ela deixava a casa ‘um brinco’ e conversava com os azulejos da cozinha!!! mas procurou uma forma de libertação e novas
    experiências, quebra a cara, acerta e segue…

    E assim cada um vai criando formas de viver seus momentos de solidão,
    que como a maoiria deve pensar… não é de todo mal,
    SILENCE IS GOLD, ou… THE SOUND OF SILENCE,
    não digo as canções em si, mas seus títulos,
    são preciosos, todos precisamos, ou por circunstâncias, ou opção,
    vale saber usufruir quando quer, e… saber lidar, quando não é propícia!!!
    Abraços!

    Obrigada, Vanilda, abraço pra vc também.
    Helê

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  16. Helê, a respeito do coment acima gostaria também de contar que quando fiz 40 acordei passando muito mal. Mal conseguia ficar de pé.Demorou para notar que foi a percepção de não ter feito nada da vida. De cair na real e ver que o futuro havia chegado e que todos os projetos adiados continuariam assim, apenas projetos.
    Eu tive todas as chances e você não acreditaria no que transformei minha vida.
    Bem, é isso. Não apenas a aparência fisica me assombra no espelho.
    Monte de beijos,

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    • Kathia, querida, eu lamento que a chegada dos 40 tenha sido tão dura. Quando fiz 40, escrevi aqui que nesse ponto a gente percebe o fim, percebe que existe um – mas ainda não chegou. Estamos terminando o primeiro tempo, mas o jogo só acaba quando termina. Enquanto o juiz não apita, ainda há muito fazer. ‘Bora pro jogo, menina!
      Com carinho,
      Helê

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    • K., se permite o comentário sobre o comentário… Acho que sempre fazemos algo da vida: aquilo que podemos, mesmo que aquilo que tivemos nos indique que poderíamos ter feito mais. Assim, tem hora que devemos nos por no colo e embalar a nós mesmos. E, na sequência, gerar novos sonhos pra perseguir. Bj

      Obrigada Claudia, você completou o que quis dizer na minha resposta tantas vezes reescrita para a Kathia. É preciso ser gentil com a gente mesmo, antes de mais nada. Beijo pras duas.
      Helê

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