Um post #classemediasofre

Uns meses atrás, a maior revista semanal brasileira trouxe na capa a pergunta: “Por que o iPhone no Brasil é tão caro?”

Não cheguei a ler a reportagem, até porque já sei a resposta. E é muito simples, não precisa de páginas e páginas com depoimentos de especialistas. Cabe em poucas palavras: o iPhone (e qualquer outra coisa) custa exatamente o preço que as pessoas estão dispostas a pagar.

Esta semana fui a São Paulo a trabalho, e tanto em Congonhas quanto no Santos Dumont vi uma propaganda de uma bandeira de cartão de crédito que mostrava um navio de cruzeiro virar um pedalinho, ilustrando um título que dizia mais ou menos o seguinte: pagando em 48 vezes, você pode fazer qualquer coisa.

Gente, sério. Parem. Por favor, parem.

O Brasil entrou agora (digamos, há 50 anos no máximo) para a turma dos países-industrializados-com-população-urbana-de-classe-média. A educação financeira não é exatamente nosso ponto forte. E enquanto as pessoas (e marcas) estiverem olhando para o valor da parcela, em vez de escolher suas compras pelo valor total do produto, tudo vai custar mais caro.

Porque é lei do mercado, né. Como aprendi com meu pai, tem duas leis que não dá para revogar: a da gravidade e da oferta e procura. Ou seja: se tem maluco que paga 2 mil reais numa coisa que poderia custar 500, o preço desta coisa passa a ser 2 mil reais. É óbvio.

Só sei que me dá nos nervos cada vez que vejo numa vitrine algo com um preço que acho razoável, e quando me aproximo da etiqueta, vejo um “6X” na frente. Ou quando digo ao vendedor que não vou levar um produto porque acho que está caro e ele argumenta que “pode parcelar em não sei quantas vezes”. Eu sei que a culpa não é dele, mas por favor.

Está na hora de começarem a ensinar nas escolas, além de “a ordem dos fatores não altera o produto”, outra lição básica: “o valor das parcelas altera o custo final. Para mais.” Ou seja, o que já era caro vai ficar ainda mais caro (olá, juros). Depois não adianta sentar numa mesa de bar e se lamentar a respeito de como está tudo tão caro e onde é que isso vai parar.

-Monix-

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5 Respostas

  1. Esqueceste de comentar que o parcelamento é dito ‘sem juros’ e não adianta argumentar que, se pagares à vista, o vendedor poderia descontar o juros embutidos nas parcelas. Eu chamo isso de roubo.

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  2. Também acho um crime a pouca atenção que se dá à educação financeira no Brasil. E agora o que mais se vê é inadimplência e grau de endividamento batendo recorde atrás de recorde. Dureza.
    E a louca dos preços é cada vez pior: uma lixeira de inox custa mais que uma câmera digital – não entendo mais nada.
    No mais, vale sempre a pena pedir um desconto quanto pagar à vista, em dinheiro. Em pelo menos 80% das vezes funciona. São 5 reais ali, 8 reais lá, 12 acolá.

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  3. Tem vezes que é quase inevitável. Comprar uma casa própria, por exemplo. Ou mobiliar uma casa inteira de uma tacada só. Mas para todas as outras, sempre existe a opção de se juntar para comprar o sonho. Pq não ensinam isso?

    Acho bem, BEM problemático, pq estamos vendo uma nação de pessoas lidando com a possibilidade de adquirir bens de consumo pela primeira vez, e adquirindo vários produtos usando apenas o endividamento como moeda de troca (pq parcelamento é dívida, né, e só vejo cadernos de economia tratando esse assunto dessa forma). É BEM assustador…

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  4. Estou precisando de uma lixeira de inox e não tenho coragem de comprar. Monix e Anna V têm toda razão.

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  5. […] disso, viver no Brasil é muito caro. Caríssimo. Tem a questão dos produtos que custam o que as pessoas estão dispostas a pagar, mas outro ponto que não pode ser esquecido é que o Brasil não é um país pronto. Não temos […]

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