Ainda os Jogos

A cada quatro anos a ladainha se repete: “ginástica artística não é esporte”, “nado sincronizado não é esporte”, e o mesmo para saltos ornamentais, ginática rítmica, etc etc.

Mas gente, para mim é tão evidente que são esportes. O que define um esporte como tal? No meu planeta, esportes são atividades competitivas que envolvam algum nível de superação física. Não vou conferir no dicionário porque convenhamos que ficou meio cafona esse truque de começar texto com verbete, mas deve ser alguma coisa nessa linha. Ou não.

Enfim. Esporte é superação física, arte é expressão estética. E basta assistir a uma apresentação de ginástica com um pouco de atenção e boa vontade para perceber que ali temos todos os elementos de um esporte, e dos mais desafiadores: perfeição física, obediência a regras preestabelecidas, qualificação comparativa com definição de vencedores e perdedores.

***

Justiça seja feita, também se discute muito sobre o que é ou não arte, e cada vez há menos consenso a respeito. Mas no caso dos esportes, existe um critério bem simples: se existem federações ao redor do mundo, regras internacionais, e o Comitê Olímpico Internacional para definir aquela atividade como esporte, então, minha gente, esporte é. O que, para mim, é um argumento definitivo contra a alegada “subjetividade” do julgamento a estes esportes de exibição. Subjetiva é a arte, subjetivo é não sabermos até hoje se o mictório do Duchamp merecia ou não estar no museu. Contra medalhas, não há argumentos.

***

E por fim, gostaria que os “idiotas da objetividade” me explicassem o seguinte: se ginástica não é esporte, por que tiro ao alvo é? E Fórmula 1 então?

Eu desconfio que no fundo o que está em jogo aí não é conceituar o que é ou não esporte, e sim qualificar “esportes superiores” – aqueles de macho, que podemos levar a sério – e os de segunda linha, que coincidentemente são praticados em geral por mulheres.

Reflitão.

-Monix-

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5 Respostas

  1. Não é esporte pra neguinho o que o Brasil não ganha, convenhamos. Queria ver se os Hipólitos não tivessem caído. Não-esporte mesmo, hoje, só F1. Carro demais, gente de menos.

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  2. Perfeito, Moniquita. Vou passar pro tijucano que compartilha casa comigo. 🙂

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  3. Mas é sério que existe essa discussão? Tô por fora, então…
    Eu mesmo acho que os 4 esportes mencionados por você estão entre os mais bacanas das Olimpíadas, ao lado de vôlei, basquete e atlestismo – a faixa nobre dos jogos.
    Só o que não tem nada a ver com o “espírito olímpico”, para mim, é esse tal de futebol masculino…

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  4. Errata: onde se lê Zé Carlos, leia-se Zé.

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