E se fosse a mãe?

As fotos de Dave Engledow rapidamente tornaram-se populares na internet  e – num movimento cada vez mais comum -, acabaram virando notícia também na mídia tradicional. Tudo porque o fotógrafo  criou uma série em que aparece como  “o melhor pai do mundo”, só que não: em todas as fotos ele está com a filha Alice em situações perigosas ou, no mínimo,  inadequadas.

Achei as fotos divertiíssimas, e  logo que vi pensei: “Só podia ser um pai”. Tenho a impressão que eles tendem a ter um humor muito próprio no exercício da paternidade, um ‘relax’ que as mães não experimentam na mesma medida. Essas afirmações contém, claro, o perigo de todas as generalizações e, sim, estão previstas as proverbiais exceções. Mas, na boa, você imagina uma mãe nessas poses?

Bem, se alguma pensar em fazê-lo eu desaconselho, por muito menos outras foram queimadas na fogueira da internet. Li comentários raivosos sobre a mãe que fotografava a filha dormindo em diferentes cenários. A maternidade continua sendo território livre em que todo mundo se sente completamente à vontade para dar palpite não-solicitado. Fosse uma mãe a fotógrafa e ela seria processada por negligência num clique.

Mas preciso admitir que o inferno não são os outros, apenas: nós mães tendemos a ser reverentes demais, preocupadas com a opinião alheia, tensas (olha a generalização de novo aí, gente! Chora cavaco!) .

Voltando aos pais: reconheço que o desprendimento que identifico neles tem relação com a cobrança menor (e, consequentemente, um reconhecimento excessivo: já viu como são admirados quando desempenham a heroica tarefa de… trocar uma fralda?).  Talvez eles simplesmente possam ser mais leves porque não sentem a mesma pressão que as mulheres. (Não que estejam livres de tensões e preocupações, isso faz parte da descrição do cargo.)

Meu ponto é o seguinte: paternidade e maternidade diferem em vários aspectos, há um jeito masculino e um feminino de ‘parenting‘ (palavra inglesa que eu adoro e designa essa tarefa hercúlea, fascinante e única que é criar filhotes humanos). Não há melhor ou pior, mas suspeito que sairemos todos ganhando se pudermos observar os modos do outro com curiosidade, respeito e a mente aberta para adotar novas práticas e abandonar antigos vícios. Pode ser bacana para nós, mães, exercitar mais esse lado irreverente e relax. Eu, pelo menos, tento.

Helê

4 Respostas

  1. Gostei muito, Helê, pra variar :o)

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  2. Oi Helê. Deixo pegadas, como pediu:)

    Muito interessante as diferenças que você citou entre um jeito masculino e feminino de “parenting”. Um texto leve com um conteúdo muito bom.Beijo.

    Nossa, que eficiência! E que prazer, Tereza! Olha, fica à vontade, viu? A casa é nossa.
    Obrigada pelo comentário e volte sempre – a gente adora pegadas de todos os tipos!
    Aquele Abraço,
    Helê

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  3. Delícia de ler! O papai aqui agradece!

    Às ordens🙂
    Bj,
    Helê

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  4. Definitivamente, minha mãe faria coisas do tipo. Ela não é nada típica, nada temerosa e sempre achou que a gente saiu na chuva pra se molhar. Todas as coisas que as outras mães não deixavam fazer, ela simplesmente dava de ombros. Fosse porque ficava tempo demais fora de casa trabalhando, para estragar o pouco tempo que tinha com a gente com coisas tolas e que não levam a nada, fosse porque ela tem um espírito (ao modo dela) libertário.

    Deve ser por isso minha cunhada não confia nela para cuidar do meu sobrinho. Boba, porque ninguém morreu lá em casa. Tá todo mundo bem!

    Que depoimento bacana, Eveline! Obrigada por compartilhá-lo.
    Volte sempre, viu? A casa é nossa.
    Aquele Abraço,
    Helê

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