Felix Baumgartner

Não consegui resistir a comentar aqui o feito desse moço que ontem se lançou da estratosfera rompendo a barreira do som com seu corpo e quebrando alguns recordes notáveis, inclusive para propósitos científicos. Como estou intensificando uma vertente crítica de minha personalidade ultimamente (isto é, estou virando uma velha ranzinza), me incomoda o logotipo do energético nas imagens disponíveis, o indefectível marquetingue. Mas depois de ter lido sobre o projeto semanas atrás, tendo acompanhando alguns dos cancelamentos na semana passada, quando afinal assisti ao vídeo do salto esqueci todo o resto e me emocionei com a coragem desse austríaco em viver pela primeira vez uma experiência para qual houve anos de preparo, mas nenhuma garantia. Ainda que ele tenha contado com todo um aparato tecnológico que levou cinco anos para ser concluído, no fim das contas ali, na beirada da cápsula, prestes a pular, ele está só e é ele, sozinho, quem dá o passo e pula na imensidão para abraçar um planeta, correndo o risco de ser engolido. No passo dele eu revi de relance as pegadas de outros que caminharam rumo ao desconhecido – apenas porque estava lá, como Hillary, ou porque não havia alternativa, como Amundsen. No momento em que Felix salta e quando aterrissa inteiro, ajoelhado-se comovido, eu vi apenas o homem no ápice de uma de suas capacidades mais notáveis, que é desafiar os limites do possível. Disso também somos feitos.

Helê

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