Slut shaming

Estava indo para o trabalho e ouvindo a BandNews FM quando começou o comentário do Milton Neves, que escuto mais por hábito que por gosto. Hoje o tema inicial da fala dele foi o caso Elisa Samudio, e antes de qualquer coisa, disse ele, era preciso prestar um esclarecimento muito importante. “O pessoal fica aí falando que ela era modelo, mas ela era mesmo garota de programa, Boechat.”

Ao que o âncora retrucou imediata e precisamente: fosse ela modelo, garota de programa, enfermeira ou freira, não se justifica que seja assassinada brutalmente como tudo indica que foi.

É uma ressalva que pode parecer meio óbvia para você leitora/leitor que é meio-intelectual-meio-de-esquerda – mas não é. A essa altura dos anos 2000, ainda é bem mais comum do que a gente pensa essa mentalidade de que “ela pediu”, “ela mereceu”, “ela provocou”. Não acho que o comentário do Milton Neves tenha sido intencionalmente machista, mas esse discurso muito me preocupa, pois justamente por não ser explícito acaba contribuindo para a propagação de uma cultura que justifica e corrobora a violência contra a mulher.

Nem sempre o Boechat acerta, mas acredito sinceramente que desta vez ele prestou um grande serviço aos seus ouvintes. Às vezes uma pulga atrás da orelha é o primeiro passo para fazer as pessoas pensarem melhor sobre assuntos incômodos.

-Monix-

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6 Respostas

  1. Eu abomino esse cara, Mô, não raro eu desligo o rádio quando ele começa a falar. Qdo não o faço, desligo os ouvidos, e foi o que aconteceu hoje, só escutei depois o Boechat repetindo o argumento, que eu também considerei pertinente e tristemente necessário.
    Helê

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  2. Pois é, importantíssimo ele ter feito essa ressalva. Acho que avaliar se teve intenção de ser machista é sempre meio complicado, porque quase ninguém assume que é machista, misógino, por convicção. Na maioria das vezes as pessoas estão reproduzindo, e de fato só por dizer algo assim já estão assumindo a postura.
    Eu acho que o importante é mostrar por que aquele posicionamento é complicado, é machista, mesmo se acabar constrangendo as pessoas. Porque a gente se constrangeu também, ora bolas! Não tem desculpa pra ser machista.
    Adoro o blog de vocês ❤
    Rebeca

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  3. me lembro que quando a cantora Mercedes Sosa morreu, eu estava num táxi e o taxista ouvia o programa do Milton Neves. ele noticiou a morte da cantora seguido de um comentário do tipo “ela era gorda, muito gorda, imensa. cantava muito, mas era gordaaaaa”. na altura, fiquei com vontade pular dentro do rádio e esganar o Milton Neves. qual a relevância desse comentário??? então…apesar da sua ressalva, vou, sim, fazer um enorme juízo de valor e me arriscar a dizer que pro Milton Neves é importante separar a “modelo” da “garota de programa”… infelizmente!

    Pois é, Judith, o tipo do cara que eu simplesmente não entendo como está empregado, cara.
    Bj,
    Helê

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  4. Eu acho que a fala do Milton Naves foi intencionalmente machista. É a cara dele.

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  5. Milton Neves e não Naves, aqui em Minas tem um comentarista Milton Naves

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  6. Falou e disse, Mônica!

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