Criando filhos

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Diego não conhecia o mar. O pai, Santiago Kovadloff, levou-o para que descobrisse o mar. Viajaram para o sul. Ele, o mar, está do outro lado das dunas altas, esperando. Quando o menino e o pai enfim alcançaram aquelas alturas de areia, depois de muito caminhar, o mar estava na frente de seus olhos. E foi tanta a imensidão do mar, e tanto seu fulgor, que o menino ficou mudo de beleza.
E quando finalmente conseguiu falar, tremendo, gaguejando, pediu ao pai: ‘Me ajuda a olhar!’.
(Eduardo Galeano em O Livro dos Abraços)

Amo esse texto do Galeano, que sempre me emociona, toda e cada vez que releio. Porque muito se fala sobre os desafios e dificuldades de criar filhos – e é tudo verdade. Mas, vou te contar: tem momentos incríveis em que somos fundamentais não para educar, reprimir ou amparar, mas para ser feliz junto,  dar conta da beleza da vida, para ajudar a ver o mar. É quando a gente se sente maior que o mar e quase afoga de tanto amor. E tem certeza que a extraordinária aventura de ser mãe (ou pai) vale cada minuto.

Helê

*E esse post, que repousava há semanas nos rascunhos do blogue, aconteceu de vir à luz hoje, aniversário da minha mãe, que me ajuda a olhar até hoje, graçasadeus. Parabéns pra ela e para essas “coincidências” da vida.

 

 

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Única entidade que ninguém censura

Numa festa de família, surgiu um assunto considerado inadequado (“é bom saber o que dizer e o que não dizer na frente das crianças”, já dizia Caetano) e o alerta foi dado com a frase: “este assunto é censurado”.

Imediatamente meu filho, cuja maior frustração é sempre a ignorância, perguntou: o que é “censurado”?

Abençoados sejam os que nasceram em um país democrático, que podem se dar ao luxo de não saber o que é censura.

-Monix-

Curta o presente

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“New Shoes” by Gerald Waller, Austria 1946

Menino de seis anos, vivendo em um orfanato na Áustria, após a 2ª Guerra Mundial, abraça um novo par de sapatos dado pela Cruz Vermelha. Foto publicada na revista Life.

(Do Flickr via Pinterest)

Seja um par de sapatos, o eletrônico de última geração ou a valiosa oportunidade de estar aqui agora: aceite e agradeça.

E tenha uma noite feliz.

Helê

Não quero perder

Bom, então tá combinado, o fim do mundo foi confirmado para amanhã. Mas como sou uma pessoas que gosta de se planejar, gostaria que algum dos profetas me esclarecesse as seguintes dúvidas:

– Qual é o horário do evento? Detestaria chegar atrasada. Favor detalhar o fuso horário. Estamos em GMT-3, sendo que com o horário de verão devemos ajustar para GMT-2 – ou não é necessário? O fim do mundo acontece pelo fuso horário mexicano, dado que a previsão é maia, e os outros países precisam se adaptar, como se fosse um show de rock com transmissão ao vivo?

– Quem estiver voando no momento do evento será considerado ausente? Ou o fim do mundo contempla também a estratosfera?

– Em caso de resposta negativa à pergunta anterior, ou seja, se a população dos voos não contar como presença ao evento… onde os aviões irão pousar?

No fundo, a questão principal é a seguinte: o que vai acabar exatamente: o planeta ou as pessoas?

(E agora, deixando a piada de lado, lembro de algo que li há um tempo: quando pensamos em ecologia e pedimos “salve o planeta”, na verdade o que queremos é salvar a nossa pele. O planeta Terra existia bilhões de anos antes de nós e continuará existindo mesmo que a existência humana se torne inviável por causa de poluição, radiação ou o que quer que seja.)

Nos vemos amanhã.

-Monix-

Da série “Carinho todo mundo quer” – Feito cão & gato

Do World of Art photography

(Do World of Art photography)
catdog2
(magicalnaturetourTasty cat by Sheyla2)

catcarinho

(funnywildlife)

pastor

(via fuckyeahinterspeciesfriendships)

doghug

(Source: addelburgh, via trem-das-cores-deactivated20121)

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(Repinado de Our amazing world! por Christine Richardson)

Helê

Milagre de Natal

Ao contrário do que vinha acontecendo, digamos… na última década, este ano até estou animada para o Natal. Fiz uma decoração discreta e simpática em casa, já estou começando a entrar no clima de retrospectiva 2012/perspectivas 2013 e nem estou mudando de calçada quando aparece uma guirlanda.

O motivo para isso é muito simples, e ao mesmo tempo complicadíssimo: este ano, graças a uma ideia brilhante do meu irmão (não é o da carteira, é outro) minha família não irá trocar presentes. Nem amigo oculto vamos fazer. Só para as crianças serão presentadas, e é claro que isso é problema do Papai Noel, e não nosso. 😉

Resolvi tudo em 20 minutos no Submarino e pronto. Não vou entrar em lojas lotadas, não vou ficar na fila do estacionamento do  shopping, não vou precisar fazer uma lista com nomes e presentes comprados (apenas para ir acrescentando novos nomes e ficar agoniada com a quantidade de campos em branco aumentando). Este ano, o Natal é só alegria. Graças ao gênio do meu irmão, (quase) todas as obrigações chatas foram eliminadas, e vamos apenas usufruir da companhia uns dos outros, como deve ser.

Crianças, tentem fazer isso em casa.

-Monix-

 

 

Uma velha louca

Outro dia uma pessoa vinda diretamente do meu passado me definiu como alguém que: casou usando uma peça de roupa da filha do ex-prefeito Pereira Passos; teve um tio-avô citado no livro/filme “Minha Vida de Cachorro“; e cujo antepassado mais famoso foi excomungado, sendo sua descendência considerada infame por cinco gerações (escapei por pouco!).

O interessante é que tudo isso é verdade. Mas são coisas de que nem eu mesma lembrava. Por algum motivo, para aquela pessoa com que convivi durante alguns anos, mas que depois desapareceu no mundo, rumo a outros caminhos, estes foram os traços marcantes da minha passagem pela vida dela.

É de se pensar nas peças que a memória nos prega. Como somos lembrados? Do que nos lembramos? Por quê?

Minha memória é uma velha louca, que cada vez guarda menos trapos coloridos, mas volta e meia me lembro de um detalhe da vida de alguém, de uma frase que me disseram, de uma situação que na ordem maior das coisas não teve a menor importância. Mas lembro.

Lembro também em qual cinema assisti determinados filmes, e com quem. De outros, não recordo nem de tê-los visto, mas consulto minhas anotações e sei que sim.

Meu filho vez em quando me espanta com memórias de coisas que eu disse das quais não tenho o menor registro. Para ele, foram importantes. Me divirto pensando em como se lembrará de mim e de sua infância, quando tudo isso já for passado.

Lembrar é uma forma de relacionar nosso “eu” de hoje com o “eu” que nos trouxe até aqui. Mesmo quando as lembranças são ruins, pode ser bom, ou pelo menos útil.

Agora com licença, que já ia me esquecendo de uma coisa… o que era mesmo?

-Monix-

 

 

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