Laissez passer

Quando fui a Roma, lá pelo penúltimo ou último dia da viagem, eu simplesmente não queria mais atravessar a rua. Precisava ir ao banco, que ficava do outro lado da rua, e simplesmente me recusei – meu irmão precisou subir até o hotel (que ficava do mesmo lado da calçada, a propósito) para resolver a situação, porque eu realmente não aguentava mais aquele estresse. O “problema” era que, acostumada ao trânsito do Rio de Janeiro, eu achava os motoristas de Roma uns selvagens – muitas ruas não têm sinal de trânsito, apenas uma faixa de pedestres, e basta colocar o pé na dita cuja que os carros reduzem a velocidade, ou desviam, mas não param. A pessoa vai atravessando, portanto, no meio dos carros, de uma forma que para mim parecia arriscadíssima, mas que de fato funciona, e muito mais organizadamente do que me pareceu então.

Depois, vi o mesmo sistema funcionando ainda melhor em Londres e em várias outras cidades do mundo, inclusive Brasília, e em Praga paguei o mico de, ao consultar o mapa plantada estrategicamente ao lado de uma faixa de pedestres, provocar uma pequena confusão no trânsito, pois os motoristas paravam para me deixar passar… e eu continuava parada!

Ver que em outras cidades os pedestres têm prioridade absoluta me faz ver em cores fortíssimas o quanto somos motoristas mal-educados aqui no Rio. E me incluo completamente nesse grupo – volta e meio levo uma bronquinha do namorado por causa disso -, mas tenho feito um esforço danado para me condicionar a parar nas faixas de pedestre e cruzamentos, principalmente quando não há sinal. Não é fácil. Além de não estar nem um pouco acostumada, sou super distraída e às vezes nem percebo que há pessoas na calçada esperando para atravessar. Mas na maioria das vezes é mesmo uma questão de hábito: já me peguei buzinando de leve para “avisar” que estava passando, em vez de reduzir a velocidade e deixar a pessoa passar. Muito feio.

As pessoas deveriam ter prioridade, sempre. Nesse trânsito louco, é um recado que precisa ser dado.

-Monix-

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2 Respostas

  1. Monix, você como sempre está certa. Mas faço uma ressalva para a impressionante falta de educação e de civilidade dos pedestres do Rio de Janeiro, que não hesitam em se atirar no meio dos carros mesmo quando o sinal está verde para os veículos, para não ter que esperar mais 30 segundos e atravessar a rua na faixa, na sua vez. A selvageria não é exclusividade dos motoristas, é um sintoma do sistema de trânsito como um todo e atinge todos os envolvidos.

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