Uma velha louca

Outro dia uma pessoa vinda diretamente do meu passado me definiu como alguém que: casou usando uma peça de roupa da filha do ex-prefeito Pereira Passos; teve um tio-avô citado no livro/filme “Minha Vida de Cachorro“; e cujo antepassado mais famoso foi excomungado, sendo sua descendência considerada infame por cinco gerações (escapei por pouco!).

O interessante é que tudo isso é verdade. Mas são coisas de que nem eu mesma lembrava. Por algum motivo, para aquela pessoa com que convivi durante alguns anos, mas que depois desapareceu no mundo, rumo a outros caminhos, estes foram os traços marcantes da minha passagem pela vida dela.

É de se pensar nas peças que a memória nos prega. Como somos lembrados? Do que nos lembramos? Por quê?

Minha memória é uma velha louca, que cada vez guarda menos trapos coloridos, mas volta e meia me lembro de um detalhe da vida de alguém, de uma frase que me disseram, de uma situação que na ordem maior das coisas não teve a menor importância. Mas lembro.

Lembro também em qual cinema assisti determinados filmes, e com quem. De outros, não recordo nem de tê-los visto, mas consulto minhas anotações e sei que sim.

Meu filho vez em quando me espanta com memórias de coisas que eu disse das quais não tenho o menor registro. Para ele, foram importantes. Me divirto pensando em como se lembrará de mim e de sua infância, quando tudo isso já for passado.

Lembrar é uma forma de relacionar nosso “eu” de hoje com o “eu” que nos trouxe até aqui. Mesmo quando as lembranças são ruins, pode ser bom, ou pelo menos útil.

Agora com licença, que já ia me esquecendo de uma coisa… o que era mesmo?

-Monix-

 

 

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